30/10/2014

UM PONTO DE PARTIDA - Conto.

     Bom pessoal, eu estou aqui não para indicar algum filme, série ou livro, mas para entreter vocês com uma história de autoria minha: Um ponto de Partida. Já tem algum tempo que a fiz. Bom, basicamente, esse conto vai tratar de Tyler Friech, rapaz que acabou de perder a esposa vítima de câncer e que quer recomeçar a vida aos poucos, sem nenhuma ideia de como encontrar-se novamente. Quando surge uma proposta de viajar com o melhor amigo para a casa dos pais, Tyler reencontra o amor de adolescência. Será que Tyler voltará a ser feliz? Quer saber? Leia e descubra:

*********** UM PONTO DE PARTIDA***********

As flores se estendiam ao redor dos jardins de Mark Fill numa só combinação de cores e tamanhos. Mark Fill é uma cidade tranquila, onde carros reduzem a velocidade quando necessário e motoristas acenam para os pedestres desejando bom dia e um sorriso simpaticamente sulista. As pessoas de Mark Fill eram as mais gentis que se podia imaginar, desde uma criança que respeitava os pais até alguém que ajudasse os idosos a atravessarem a rua na faixa de pedestres ao mesmo tempo em que carregavam as compras do supermercado à casa.
As ruas tranquilas se transformavam em um belo paraíso aos sábados, quando as domésticas saiam de casa para lavar a calçada, enquanto os cachorros abanavam o rabo até o fim da rua, cheirando pessoas que passavam a mão na cabeça do animal com tanta facilidade que pareciam serem todos donos do mesmo cão.
     O carro quase derrapou numa curva que dava direto a uma pista movimentada em Rarville. A chuva que tinha caído na madrugada deixou todos os moradores com rivalidade com o despertador, já que a cidade mantinha o sol e a temperatura seca há três meses. Nenhum pássaro no céu nublado, mas nos canteiros sombrios de pinheiros se aglomeravam dezenas de filhotes de águias emitindo sons estranhos, ecoando vale adentro. Tyler Friech ligou o rádio e pôs na estação de policiamento, onde informavam os crimes do dia anterior: Setor de Vigilância sanitária não obedece a básicos processos de autorização do governo; Dois sequestros na noite no bairro de Brinfrey, e felizmente as vítimas passam bem; A madrugada mais fria comprovada esse ano em Mark Fill, depois de três meses secos. A ótima notícia é que o prefeito finalmente assinou o contrato de não derrubarem o prédio mais antigo da cidade para fazer uma praça de eventos pública. Pelo menos para Tyler essa era uma boa notícia, e sim, achava que o prédio era um dos símbolos da cidade, um patrimônio local.
Não fazia nem uma semana que Tyler estava desempregado, tentando sobreviver com os baixos custos que mal se adaptavam a sua dura realidade. A High Scholl Mark era uma escola que fora construída na década de cinquenta na pequena cidade, e hoje não era nada menos do que uma área de disfunção pública, por causa da falta de investimentos com a estrutura e a inadimplência do salário dos professores, pelo menos dos poucos que tinha, e Tyler se incluía nessa lista.
Tyler adorava ensinar ciências, procurava manter um foco na sala de aula e era altamente competente, e sentia prazer em responder uma dúvida quando um aluno o procurava para esclarecer coisas sobre o corpo humano, as várias doenças causadas por bactérias e diversos assuntos sobre vegetais. E agora nada mais existia, nem a escola, nem o prazer de ensinar. Dez anos acabavam da pior forma.
Uma lágrima morna caiu sobre o seu rosto. Ele se recusou a enxugá-la.
Havia um mês que Tyler perdera a esposa, Lyanna, com quem convivera durante muito tempo. Um câncer no abdome mudou a sua trajetória de vida, um percurso que planejou trilhar com Lyanna. E agora tinha acabado. Para sempre. Uma esposa perfeita, com quem queria dividir um lar, filhos e uma vida conjugal, e agora nada mais restava além de um buraco enorme no peito sendo ocupado com sombras e mais sombras de tristeza e profunda solidão. Tyler tentou enxergar um futuro diferente, com uma pessoa diferente. Talvez o transformasse. O preenchesse.
     O carro vermelho de Tyler estacionou do lado de fora da DONETES MUSIC, uma pequena casa transformada em um verdadeiro “Lar da música”. Hendrie Dalmer Jr. era professor de música há cinco anos, tinha lá os seus trinta anos e adorava ensinar crianças e adolescentes a tocar diversos tipos de instrumentos, desde flauta a violão e piano.
A luz amarela acendeu no corredor, de onde Tyler caminhava. De onde estava ouvia a doce melodia de um violino ao fundo, tocando uma música dos Beatles, cada acorde alcançando maravilhosamente os tímpanos. Quando se aproximou, viu uma garotinha ruiva de cabelos ondulados com um vestidinho de seda verde no centro de um círculo pequeno da sala. O violino apoiava-se perfeitamente em suas mãos, enquanto as cordas deslizavam para sair o som. Ela continuou tocando, e uma dúzia de meninos e meninas não desviavam os olhos dela.
– Eaí, Hendrie? – Tyler sussurrou, aproximando-se do amigo o cumprimentando com um soco leve no antebraço.
– Oi, Tyler. Está tudo bem? – Desde a morte de Lyanna, Hendrie perguntava todos os dias para o amigo se ele estava bem ou se estaria precisando de alguma coisa, solidariedade era uma palavra que com certeza existia no dicionário de Hendrie Dalmer Jr.
O violino atingiu uma nota aguda. Depois suavizou.
– Ela manda muito bem. – Tyler ainda não tinha visto aquela garota tocar, e por um minuto se condenou por não ter a ouvido fazer aquilo. Ela aparentava ter uns nove anos de idade. Não, com certeza ela tinha nove anos de idade. A sobrinha de Tyler tinha nove anos, e era praticamente aquela garota na versão ruiva.
– Sim. Dayla tem um dom incrível da música.
Tyler respirou, e queria cumprimentar a garotinha com um sorriso quando ela terminasse de tocar. Mas quando o violino saiu de posição e todos começaram a aplaudir, ele assobiou alto.
Dayla deu um sorriso bem aberto, e inclinou-se para agradecer, pegando de leve na aba do vestido e cruzando as pernas uma atrás da outra. Como uma mera dama faria.
– Vou passar a tarefa de casa e já volto para te fazer um convite. – Hendrie se juntou aos demais alunos, e pegou uma música de Lionel Richie, que estava impressa em algumas folhas que ele logo entregou para cada um deles. – Tratem de escutá-la e iremos ensaiar na próxima semana, o.k?
Todos os alunos menearam a cabeça e responderam de imediato um “Sim” para Hendrie. Um por um, iam saindo pela porta de entrada. Os adolescentes, na faixa dos quinze anos no máximo, voltavam a pé pelas ruas molhadas, enquanto crianças menores esperavam pelos pais dentro do DONETES.
Um carro buzinou do lado de fora, e Dayla correu para fora, com a mochila do violino posta nas costas.
– Tchau Hendrie! – Ela sorriu e acenou, e ele fez o mesmo. O seu olhar inocente e meigo voltou-se para Tyler. – Tchau Homem-do-assobio! – Ela saiu e Tyler riu e acenou.
– Então... – Hendrie puxou dois banquinhos. Sentou e mandou que ele sentasse e escutasse. – Amanhã eu estou saindo de férias.
Saindo de férias? O que significava sair de férias? Tipo, sair de Mark Fill?
– Como assim? – Tyler arrumou os cabelos e o casaco marrom.
– Eu vou ficar fora por alguns dias. Sete dias. Meus pais completaram trinta anos de casados ontem, e eu não pude mandar um e-mail ou uma carta. Então vou fazer essa surpresa para eles. – Hendrie coçou o nariz e arrumou o chapéu estiloso na cabeça. – Pensei que talvez você quisesse ir comigo.
– Não, cara. Eu...
Hendrie o interrompeu.
– Cara. – Ele se inclinou e olhou nos olhos de Tyler. – Você não pode ficar em casa, chorando pelos cantos, se remoendo por causa do que está acontecendo com você. Eu sei que Lyanna era uma boa mulher, mas as coisas acontecem cara, mas quando a morte atrapalha o nosso caminho, mas não nos ataca diretamente, a vida continua. Não podemos parar. E tenho certeza que você ainda vai encontrar alguém que te faça feliz. – Hendrie retomou a sua posição. – E um emprego.
Hendrie riu, mas Tyler deu um leve sorriso no canto da boca.
Ninguém me fez mais feliz do que Lyanna. Pensou.
– Tudo bem. – Dessa vez ele deu um sorriso completo. – Eu vou com você.
                                                                                 ***
Não havia luz pela manhã, a não ser por um poste com uma lâmpada desfocada na beira de uma calçada. Tyler olhou pela janela e a vira úmida, novamente tinha caído uma garoa na madrugada, e quando inclinou-se para olhar para as ruas habituais que cercavam as casas de madeira com flores nas grades e toldos, notou um homem de casaco preto andando se apoiando em uma bengala, ele era velho, aparentando oitenta e poucos anos, mas com tanta disposição no olhar que não parecia ter essa idade. Tyler se imaginou naquela idade, andando por aquelas ruas úmidas apoiado numa bengala, olhando para o chão e pensando na vida que tivera no passado. Uma vida que achava ter perdido quando Lyanna havia morrido, uma vida que por mais que chorasse não iria voltar. Bocejou. E viu o sol levantar no horizonte, e as sombras formavam figuras nas paredes e as árvores pareciam tortas e dançantes quando a sombra se estirou por quase três metros na estrada.
     Hendrie parou em frente a casa do amigo, a buzina soou lentamente, quase um sussurro de uma nota. Quando Tyler saiu, o sol ainda iluminava a dimensão do vale para trás, o que faria aquela parte das casas ficar tão escura quanto a própria noite.
– Vamos lá. Seguindo o sol meu amigo, seguindo o sol. – Hendrie pôs um sorriso no rosto. Aquela era uma passagem do poema de um escritor britânico. – Seguindo o sol como se fosse uma vespa. Zunindo e cantando para nós o amor. E vamos lá, caçá-la e voltar para casa. Antes de o sol se pôr.
– É isso aí. – Tyler entrou no automóvel cinza claro de Hendrie, pondo o cinto de segurança na altura do abdome, logo após ter colocado as malas na parte de trás, nos bancos alargados e almofadados.
O carro seguiu pela estrada de Rarville, dobrando a esquina de Gambry Doller onde uma bifurcação cortava uma estrada e dava na direção de uma paisagem de arbustos verdes e a outra numa montagem esquisita de tulipas e girassóis na plantação, e era lá aonde a luz do sol chegava com mais intensidade.
– Já reservei um lugar no BANNER’S pra gente.
Banner’s era um famoso bar de um velho amigo da família: Gilbert Lincon. Gilbert tinha por volta dos quarenta e cinco anos, tinha cabelos grisalhos e usava um bigode bem cortado e ajustado, também grisalho.
O som do automóvel era suave na pista molhada, e quase não tinha carros na estrada, apesar de uma Picape e um BMW passarem com uma velocidade acima do normal ao lado do veículo de Hendrie. E como se não bastasse, um careca barbudo e atarracado de gordo com piercing’s no nariz e sobrancelha e uma tatuagem de uma caveira acima do olho, pôs a cabeça para fora da janela do carona da Picape e gritou uma porção de palavrões que deixaram Hendrie nervoso, mas não podia perder a cabeça, não podia sair de si. Esse não seria ele. E mesmo que quisesse, não sujaria as mãos com os irmãos Bradley, os quatro caras mais barra pesada de Mark Fill, que metiam medo até na polícia local, filhos do xerife da cidade: Bruce Bradley.
     A última curva na estrada dando direto para Hamfilly, uma pequena vila no interior de Frich Jerman, era catalogada por minúsculos pontos de vegetações inclinadas e que serpenteavam em direção à floresta perto do rio, delineando os espaços necessários para os agricultores da região. O posto 9, era assim que chamavam, se localizava logo atrás de um cemitério local, ainda na entrada da cidade, e tudo era estranho quando adentraram oficialmente em Frich Jerman, parecia um lugar deserto e abandonado, como em filmes de ficção científica. O cheiro de fumaça e óleo diesel estava por toda parte, e o carro desacelerou quando parou em frente a um semáforo depois de passar direto pelo posto de gasolina.
Uma placa enorme posta na lateral de uma estrada de terra ostentava a enorme imagem de um cavalo Puro Sangue preto lindo com a crina esvoaçante, era um slogan de uma marca de automóveis desconhecida. Nas proximidades de Frich Jerman encontrava-se casas embutidas com jardins bem cuidados e algumas fazendas privadas cercadas de arame farpado e madeira.
Depois de percorrerem vários quilômetros finalmente tinham chegado ao urbanismo da cidade, e deixando de lado a não muito agradável paisagem assombrosa e arrepiante dos primeiros quilômetros de estrada da entrada do local, finalmente puderam sentir um cheiro diferente e ouvir barulhos de buzinas e os sapatos de transeuntes nas calçadas e atravessando ruas, conversas e risadas, portas de lojas se abrindo e uma sineta tocando, como uma daquelas cidades muito tradicionais e pequenas, porém com todas as hospitalidades que lhe permitisse transferir. Hendrie continuou dirigindo por mais alguns metros, até felizmente chegar à casa dos pais.
A mãe de Hendrie era uma senhora de cinquenta anos de idade, ostentava uma beleza que poucas tinham. Anos atrás conseguiu ganhar por dois anos consecutivos um concurso internacional de modelos, e anos depois aperfeiçoou os seus dotes culinários em outro concurso, que levara o prêmio de Cozinheira Chefe Do Ano.
– Hendrie! Como é bom vê-lo, meu filho! – Hendrie saiu do carro e abraçou a mãe que vinha saindo de uma casa de dois andares, era feita de madeira turca vermelha e com a fachada verde, detalhada com flores em casos caídos do toldo por uma fina corrente de metal.
Arnastyne Dalmer usava os cabelos morenos, porém com alguns fios grisalhos, presos num rabo de cavalo. Era magra e elegante, como uma daquelas beldades que estampam a capa de uma revista de moda, mas ela tinha muito mais a ver com uma das celebridades famosas que desfilou para diversas empresas e que se aposentou. Com os seus cinquenta anos, ela exibia um corpo perfeito, de dar inveja mortal para mulheres mais novas, com uma silhueta demarcando os quadris e o busto e a cintura curva e bem desenhada.
Ela deu um beijo no rosto do filho e segurou com as duas mãos cada uma das têmporas, analisando cada traço do rosto de Hendrie. Logo após olhou para trás e deu um sorriso simpaticamente hospitaleiro para Tyler, e desceu os poucos degraus que dava da varanda para o pequeno caminho de pedras do jardim.
– Tyler Friech! – Ela o abraçou e sussurrou as boas vindas. – Você tem os traços de sua mãe. – Ela tocou no rosto dele como fizera com o de Hendrie. E depois deu um passo para trás e o olhou de cima abaixo. – Porém o físico de seu pai. O durão Emmit Friech! – Ela deu uma risada baixa e contagiante.
Emmit Friech nasceu e morou boa parte de sua vida em Mark Fill, com o filho e a mulher. Ele era um bom pai e um excelente marido, embora frequentasse um cargo importante no conselho da cidade. As suas várias formas de protestar contra severas táticas do governo em função da retirada de moradores de locais pobres para construir prédios e lugares públicos, e sobre uma determinada cúpula que tentava remediar os processos básicos de saúde da população para insistir nos processos democráticos de transportes públicos. Alguns anos depois, Emmit Friech deixou o cargo de conselheiro de Mark Fill e viajou para a Carolina do Norte com a esposa, embora Tyler quisesse continuar morando na cidade, tinha acabado de conseguir um emprego de ajudante numa Delicatéssen, e não queria perder a oportunidade de caminhar com os próprios pés. Foi nessa Delicatéssen que acabou conhecendo Hendrie, depois de uma briga furiosa de dois homens no estabelecimento, que os dois tentaram separar.
– Vamos entrar. Por favor. – Arnastyne subiu os poucos degraus segurando o braço de Tyler num apoio e conversando com Hendrie sobre como o pai dele estava feliz por ele ter conseguido um emprego de músico. Ou melhor, professor de música.

A casa era uma réplica das características pós-guerra, o chão em tons bem simples com quadros nas paredes de Carmeron Dalmer, pai de Hendrie, durante o período que serviu o exército do Iraque. Nas fotografias se mostrava um exímio soldado da década de setenta, com um belo cavanhaque emoldurando o rosto rígido. O sorriso tinha desaparecido, dando lugar a um semblante de uma expressão morta. Em outros porta-retratos aparecia com o quepe e capacete debaixo do braço, abraçando companheiros da guerra, e por incrível que pareça, uma das únicas fotografias que Carmeron sorria abertamente, uma daquelas risadas de doer o estômago. Agora não, no momento mais parecia um ensandecido ex-soldado que se lembrava dos tempos de guerra como tempos difíceis e sem necessidade de contemplar aquele tempo como parte da sua história.
Carmeron sorriu quando viu o filho, acompanhado da mãe, entrar pela porta.
– Hen! – Desde quando Hendrie tinha sete anos de idade, o pai resolve chamá-lo só por metade do nome, como uma forma de ficar mais íntimo do filho, depois do longo período que ele teve longe de Hendrie na guerra. – Acabou de começar a partida de futebol Americano!
A TV não era tão grande, mas ocupava um espaço de um metro e meio estendida perto da lareira.
– Vou fazer uns hambúrgueres. – Arnastyne se dirigiu à cozinha com aquelas passadas leves encima do salto.
Tyler se sentiu à vontade, estranhamente à vontade na casa do amigo, acomodando-se em uma das duas poltronas que estavam na sala.
A fogueira crepitou rapidamente e soltou fagulhas no capacho vermelho e dourado aos pés de Tyler.
Um Touchdown foi marcado no jogo e sem querer saiu um palavrão da boca de Carmeron. No mesmo instante que Arnastyne vinha da cozinha com os hambúrgueres.
                            
                                                                                   ***

– Ian Silas ligou. – Hendrie estava pegando as chaves do carro e vestindo o casaco preto. Já era final de tarde, e o céu era em parte vermelho e arroxeado, mas o clima permanecia o mesmo.
– Quem? – Tyler perguntou quem seria o tal de Ian Silas, demonstrando interesse em saber o que ele fazia e qual o motivo de Hendrie sair às pressas para encontrar com ele.
Hendrie pôs o gorro e abriu a porta.
– Ele é dono de um estúdio de fotografias aqui de Frich Jerman. Há tempos que eu não o vejo, e agora ele me ligou dizendo que queria me encontrar para conversarmos sobre as fotos que ele estava tentando marcar comigo.
– Ele tem um estúdio de fotos? – Tyler franziu a testa e pôs o seu gorro.
– Não só um estúdio de fotos. – Hendrie abriu a porta do motorista e sentou no banco acolchoado, enquanto Tyler se acomodava no do carona. – Ele é um dos administradores da Style Jerman Looks, uma revista local.
Hendrie Dalmer lembrava um modelo de revista dos pés à cabeça. Tinha olhos azuis e o maxilar reto, o nariz empinado e o cabelo loiro no estilo mais despojado possível. Apesar de ter como uma atividade indispensável comer, ele era magro e tinha um físico atlético muito bem desenhado.
– Desde quando você conhece Ian Silas? – Quis saber Tyler.
Hendrie virou uma curva e seguiu por uma pista tranquila e com poucos carros estacionados em vagas de supermercado e lojas de conveniências.
– Ele conhece meu pai há muito tempo, e eu praticamente fui criado nessa cidade. As primeiras fotos que eu tenho foram tiradas no estúdio de Ian, eu devia ter uns quatro anos de idade. O álbum é guardado com toda a segurança do mundo com a minha mãe.
Durante toda a infância Hendrie viveu com os pais em Fich Jerman, mas resolveram mudar de cidade quando Carmeron aceitou um emprego de um velho amigo da família na cidade de Mark Fill, onde trabalhou durante dez anos, período em que as condições da família Dalmer melhorariam, e acabaram saltando de maneira abrupta quando Hendrie também conseguiu um emprego na delicatéssen, onde começou a ganhar dinheiro de modo fixo.
O carro de Hendrie estacionou em frente a um enorme estúdio de fotografias, na parte mais iluminada e movimentada de Fich Jerman. A noite tinha chegado e pessoas começavam a sair de suas casas, com os seus carros e seus filhos. As enormes letras na fachada do estúdio condecoravam o verde chamativo, com o nome PIXEL em azul ofuscante. Tyler saiu do veículo e acompanhou Hendrie pela porta principal e pelo corredor que dava direto a uma sala grande e cheias de câmeras e fotógrafos. O estúdio era branco e havia umas quinze pessoas no mesmo espaço, maquiando, escolhendo roupas, pousando para as fotos e retirando as fotografias das modelos. Hendrie seguiu por um emaranhado de fios até chegar a um corredor cheio de quadros onde tinha uma escada que levava para o andar da gerência. Tyler subiu todos aqueles degraus, até chegar a uma sala, a única sala do andar de cima. Hendrie abriu de imediato a porta, e entrou.
Ian Silas usava um chapéu pequeno e tinha os olhos verdes, aparentava uns sessenta anos, mas em ótima forma para um homem de sua idade. As rugas no rosto eram uma marca do seu envelhecimento, mas Ian mantinha uma alma infantil e de gentileza desde o tempo que conheceu Hendrie.
– Bom vê-lo novamente, meu jovem rapaz! – Ian abraçou Hendrie e mostrou um sorriso amarelo de satisfação. – Bem vindo novamente à Fich Jerman!
Hendrie meneou a cabeça, contente pela hospitalidade que a sua cidade natal estava lhe dando.
– Continua o mesmo garoto que conheci anos atrás. Uma ótima modelagem você tem, meu rapaz! – Ian Silas avistou Tyler do outro lado da escrivaninha, e ficou surpreso por reconhecer outro modelo. – Você também tem modelagem, meu jovem! Características bem chamativas e um belo rosto!
Tyler sorriu.
Seria uma boa proposta?
Agora que estava sem emprego, aceitar um como modelo fotográfico?
Quando os dois saíram da sala de Ian, quarenta e cinco minutos depois, Tyler se dirigiu ao estúdio branco para analisar mais o local que poderia aceitar o emprego, sabia que estava tendo uma boa oportunidade para trabalhar em Fich Jerman e viajar para o exterior e visitar os pais a qualquer hora, principalmente depois que Ian Silas lhe deu as coordenadas de tudo que o rodeava naquele estúdio e sobre como é ser um modelo fotográfico com fama.
     Um cara baixo e forte, com óculos-escuros no alto da cabeça e vestindo uma camiseta social e um Jeans tirava as fotos de uma loira com um corpaço único, ela tinha lábios finos e seios pequenos, usava uma echarpe no pescoço e um top verde com uma saia fina de seda azul. Tyler cruzou os braços para analisar a sessão de fotos, flashes por toda parte. Hendrie continuava conversando com Ian Silas numa outra sala, ainda no mesmo andar. Alguns minutos depois a loira se dirigiu ao fotógrafo e analisou as fotos junto a ele, concordando com as que ficaram boas para o seu destaque na revista Style Jerman Look. O homem de óculos na cabeça, que tirava as fotos, sentou em um banquinho e tomou um gole da água na garrafa ao seu lado, se preparando para mais uma modelo. Tyler olhou para trás e notou Hendrie descer as escadas com Ian, mas quando retornou o olhar para o estúdio a outra modelo já estava posicionada, sentada em um banquinho alto, idêntico ao que o fotógrafo estava sentado minutos antes.
Tyler prendeu a respiração, como se acabasse de se chocar contra uma parede, como se o ambiente não tivesse mais oxigênio. A única coisa que mexia com o seu corpo era o coração, que bombeava rapidamente, aumentando a velocidade de sangue percorrendo todo o percurso sanguíneo.
Era ela, a única mulher que tinha feito o coração dele bater daquela forma, naquele ritmado poder de turbulência apaixonante, revirando tudo de bom que ainda existia, as lembranças e as formas de carinho. Tudo.
– Cara, não me diz que aquela é a... – Tyler não conseguiu expressar uma voz interior, quando Hendrie se posicionou ao seu lado.
– Maya Drewson! – Ian também chegou do outro lado de Tyler, pondo uma das mãos no ombro dele, seguido de um sorriso. – A minha melhor modelo. A mais linda. E a mais profissional!
Meu Deus, não pode... Isso não está acontecendo. Depois de tanto tempo...
Pensou Tyler Friech.
Maya era linda, maravilhosamente linda. Tinha cabelos pretos e um olhar verde, por baixo da roupa amarela que desenhava sua silhueta em traços perfeitos existia uma pele e um corpo que Tyler adorava tocar anos atrás. E por trás daquela modelo existia uma menina tão linda por dentro quanto por fora.
– Meu amor. – Sussurrou Tyler, enquanto analisava o seu antigo amor de adolescência, interrompido por duas famílias que não se conectavam, e que agora tudo estava diferente, tudo havia mudado. Era como se sentisse uma maré puxar alguém para dentro do oceano, à mercê de tudo de bom, de coisas lindas que correm o mar, de infinitas paixões entre corais. E tudo isso era maravilhoso de sentir, maravilhoso de viver. E Tyler nunca abandonara isso, nunca sequer deixou de amar Maya só por causa da distância, mas o tempo cuida de dois corações, assim como cuida de dois seres que se amam.
Caster Drewson e Emmit Friech fizeram parte do Conselho Governamental de Mark Fill durante longos anos. A rivalidade das famílias não começa somente quando Caster tentava cumprir mandados judiciais para a derrubada de obras públicas antigas e defender as melhorias da população tendo que retirar moradores de conjuntos habitacionais para construir hotéis de luxo, sendo que a maioria da população da zona de baixa renda não teria como pagar se o governo não lhes oferecesse um bom rendimento. Emmit tentava fazer o oposto do que Caster fazia, tentava lutar pela melhoria de bairros pobres, investindo na educação e pacificação de bairros de zonas abandonadas pelo governo, onde ainda existiam modos de cooperar com moradias e construções de custo fundamental do governo, porém com melhores condições para a população de renda mínima de Mark Fill. Quando Caster resolveu colocar quase uma dezena de tratores para derrubar uma escola enorme que seria substituída por um museu, Emmit tentou convencer todo o conselho de que o melhor a fazer seria reformar a escola com todo o espaço que ela tinha, para assim, aproveitar todo o lugar que ela oferecia para montar o museu, mas Caster tentou mascarar a situação mostrando que seria melhor a derrubada do patrimônio e a construção total do museu. Emmit acreditava que pessoas como Caster eram mais corruptas no que pensavam do que no que faziam, e logo se afastou do conselho, que não demorou muito tempo para se desfazer por completo. Anos mais tarde, Caster Drewson veio a falecer, com um tumor no cérebro, deixando a filha, Maya Drewson, com a mãe morando em uma casa longe de Mark Fill. Separando, assim, Maya de Tyler, que já estavam juntos há um ano.
Passado um bom tempo, Maya seguiu a carreira de modelo no exterior e mudou-se para Fich Jerman, aceitando o pedido de Ian Silas para tratar de sua carreira. Tyler, depois que Maya partiu, desistiu de trabalhar na Delicatéssen e estudou bastante para se formar em Biologia. E quanto a Hendrie, também deixou o emprego e aprendeu a gostar de música quando saiu da faculdade de direito, querendo seguir ensinando crianças e adolescentes.
Hendrie pediu que Tyler entrasse no carro e ficou alguns minutos dentro do estúdio, e logo depois saiu.
– Vamos – Hendrie girou a chave na ignição e deu a partida. – Temos um jantar no BANNER’S.
Tyler só conseguiu pensar em Maya sorrindo.
Ele não queria mais nada nesse mundo, longo então, nada o faria mais feliz.
Tudo o que ele queria e se sentia feliz estava ali. Ela estava ali.
Por que não tentar?

                                                                                   ***
O bar de Gilbert Lincon era todo revestido de uma madeira arroxeada, era um dos lugares que te deixava com toda a animação a mil assim que entrava no estabelecimento, ao mesmo tempo em que encontrava pessoas legais e bem humoradas, dançando ou abraçadas com amigos e com um copo de cerveja na mão.
– Mister Hendrie! – Gilbert saiu de trás do balcão de madeira do BANNER’S e cumprimentou Hendrie com um abraço, e segurou o chapéu branco acima da cabeça. Gilbert tinha a mesma altura de Hendrie, embora fosse mais velho. O bigode e o cabelo grisalhos demonstravam uma simpatia acalorada e vívida para os clientes. – Quando você ligou eu pensei que fosse mais um daqueles vagabundos que ligam para o meu bar pedindo pizza. Quem eles pensam que são? – Gilbert retornou para trás do balcão. – Ou melhor, quem eles pensam que eu sou? Algum motoboy maluco dono de bar que sai por aí entregando pizza?
– E o que você diz? – Perguntou Hendrie, provavelmente adivinhando o que ele diria.
– Eu digo que enviarei a pizza se eles me deixarem de presente as irmãs deles.
Hendrie riu alto e Gilbert acompanhou, enxugando um copo.
– E esse quem é? – Gilbert estendeu a mão e cumprimentou Tyler.
– Tyler Friech! – Tyler levou um sorriso à boca e apertou a mão de Gilbert.
– Seja bem-vindo ao meu bar, Mister Tyler!
Gilbert tratava os clientes como “Mister’s”, as mulheres eram chamadas de “Lady’s”.
– A mesa está reservada! – Disse Gilbert. – Fiquem à vontade!
Hendrie e Tyler seguiram por um caminho pequeno até chegarem à mesa quadrangular que estava no canto do bar.
– Legal. – Tyler olhou em volta, e meneou a cabeça. – Gostei do bar. E da hospitalidade Jermanesca.
– Pois bem, amigo, aproveite o passeio pela cidade que todo mundo conhece todo mundo.
Talvez eu deva morar aqui, para que Maya possa me conhecer melhor. Pensou Tyler.
As cervejas chegaram à mesa um minuto depois, trazidas pelo próprio Gilbert. Uma música country tocava ao fundo, fazendo algumas pessoas dançarem com os seus pares numa pista bem espaçosa do outro lado de onde eles estavam sentados. Tudo aquilo dava um toque de cenário de faroeste, mostrando os detalhes das roupas e chapéus de pessoas, a música e como algumas pessoas calçavam botas de couro.
E por mais que Tyler e Hendrie não estivessem conforme todas elas, estavam se sentindo confortáveis até demais.
Hendrie pôs a mão no bolso e retirou algo.
– Está aqui. – O papel que ele retirou do bolso, e colocou em frente a Tyler na mesa, estava dobrado.
– O que é isso?
Tyler pegou o pedaço de papel e abriu.
– Não pense que eu não notei o seu olhar para Maya. E não pense que eu não acabei descobrindo também que ela é, por acaso, a filha do falecido Caster Drewson, e que tudo entre vocês ainda não terminou. – Proferiu Hendrie, tomando um gole da cerveja e se aconchegando na cadeira.
– Você... – Tyler segurou o papel entre os dedos e não desgrudou os olhos dele, enrugando a testa de felicidade.
– Sim. Eu peguei o número dela para você.
Tyler se sentia constrangido por ele mesmo não ter feito aquilo, mas tinha medo de tudo dar errado, de Maya ter uma reação inesperada. Então, agradeceu ao amigo e guardou o papel no bolso.
– Eu sei que você ainda a ama, Tyler. – Disse Hendrie, olhando nos olhos do amigo.
Sim, Tyler a amava incontrolavelmente. Mesmo que tivesse se casado com Lyanna e passasse dias felizes ao lado dela, tudo era só um preenchimento de um buraco no peito de Tyler que clamava por amor. Mas ele sabia, que por mais que Lyanna não fosse a mulher com quem ele sonhou um dia envelhecer, ela com certeza tinha convicção de que Tyler era o homem da sua vida, e ele fez de tudo para sustentar isso até o final. Por respeito à mulher que lhe amava. Por respeito aos dias que passaram juntos, e pelos sentimentos que ambos perduraram até o dia da morte dela.
– Como você conseguiu? – Tyler se inclinou para falar bem perto do ouvido de Hendrie, quando se levantaram, depois de tomarem umas duas cervejas.
– Ian tem os contratos de todas as modelos, com informações básicas, inclusive o número de contato de todas elas. Só precisei convencê-lo a me dar o de Maya, e então ele cedeu. – Hendrie soluçou, pondo a mão na boca.
A música estava alta demais, e então, os dois se despediram de Gilbert e foram para o lado de fora, com Hendrie girando as chaves no dedo.
– Então não foi ela que deu o número? – Perguntou Tyler, desolado.
– Lógico que não. – Hendrie pôs as mãos nos bolsos do casaco e chutou uma latinha de cerveja que estava no chão. – Eu acabei de chegar à cidade, ela não me reconheceria, lógico que não seria de tamanha gentileza pedir o número de telefone dela de uma hora para outra. Seria muita audácia de minha parte.
Tyler olhou para o céu escuro. A lua magnificamente estonteante no alto, e tudo o que ele queria fazer era correr sem destino pelas ruas de Fich Jerman, encontrar Maya e dizer o quanto ele a amava. Sempre a amou.

                                                                                   ***

– Coragem Tyler! – Comandou a si mesmo.
As luminárias do quarto estavam acesas e refletiam uma luz amarelada, onde formava uma penumbra no canto das paredes. Precisou ficar um pouco sozinho, para que tomasse a iniciativa de ligar para Maya Drewson.
    O celular estava sendo comprimido na palma da mão de Tyler, eram quase sete horas da noite, ele sabia que ela sairia do estúdio às seis e meia, então não queria perder tempo. Queria ver, conversar e abraçar ela ainda naquele dia.
Achou estúpido de sua parte ficar ensaiando o que falaria para ela quando ouvisse a sua voz do outro lado da linha, mas no final apenas aceitou que diria o que o seu coração mandasse, o que o Tyler, de anos atrás, falaria com Maya, também de anos atrás.
Ele escutou chamar. Ainda não tinha acreditado que teve forças para teclar os números. Ele sentiu uma pontada de vergonha quando lembrou que o Tyler adolescente não faria esse papel, então tentou enfrentar as coisas com mais sutileza do que amedrontamento, e teve que respirar fundo antes de ouvir uma voz do outro lado da linha.
– Alô? – Maya atendeu, com uma linda voz feminina.
– Alô! – Respondeu Tyler. – Por favor, Maya Drewson?
Tyler não quis se revelar de cara, preferiu marcar um encontro, para que assim pudessem conversar com mais calma.
– Sim, sou eu. – Respondeu Maya, com toda a gentileza que sugeria na voz.
– Eu trabalho com Ian Silas, não diretamente, mas eu auxilio na revista Style Jerman Looks.
– Ah, sim. – Ela deu um suspiro do outro lado da linha. – Posso ajudar em alguma coisa?
– Eu posso encontrar com você, se não for incômodo, é claro. – Tyler não quis ser direto, mas também não queria se afugentar, tinha a chance nas mãos.
– Ah, tudo bem. – Proferiu. – No VINNAS. Daqui a uma hora, pode ser?
Estava bem óbvio que Tyler não tinha a menor ideia de onde ficava o VINNAS, mas resolveu topar.
– Claro, tudo bem. – Disse Tyler. – Eu estarei te esperando.
– O.k – Maya desligou o celular, enquanto Tyler o deixou colado na orelha por um bom tempo, o instante que conseguiria respirar normalmente.
VINNAS. Onde ficaria?
Tyler não tinha a menor ideia, mas Hendrie com certeza saberia muito bem onde ficava.
    Quarenta e cinco minutos depois, Tyler estava devidamente vestido para o encontro com Maya no VINNAS. Depois que Hendrie o deu as coordenadas de onde ficava, ou melhor, insistiu que fosse o seu motorista naquela noite. Tyler vestia uma camisa social branca e um terno preto por cima, a noite estava maravilhosa, e felizmente nada de umidade prevalecia no ar, o que o deixou com mais ansiedade para ver Maya com uma linda roupa e um belo sorriso ao encontrá-lo.
O carro de Hendrie parou em frente a um restaurante com uma placa enorme que destacava o nome do restaurante, não tinha como não saber que ali era o VINNAS.
– Já está reservada a mesa 7 para vocês. Violetta reservou a melhor mesa do restaurante. Aproveitem.
Tyler achava o máximo Hendrie conhecer e ser íntimo de muitas pessoas de Fich Jerman, logicamente por que o Sr. e a Sra. Dalmer viviam há muito tempo ali, naquela pequena e simpática cidade, e Hendrie passou boa parte da vida naquele lugar, não seria diferente.
– Ah, e oferece a especialidade da casa para ela. – Disse Hendrie. – O vinho.
Tyler riu e arrumou o terno.
– Como eu estou? – Ele fez uma pose quando saiu do veículo.
– Do jeito que Maya vai adorar!
Hendrie pisou no acelerador e foi embora, enquanto Tyler entrou no VINNAS e se encantou pelo espaço romântico e agradável que estava. Um pianista ao fundo tocando Clair de Lune, de Claude Debussy. O restaurante não tinha poucas pessoas, mas também não lotava o espaço. O que dava o ambiente perfeito para reconquistar a mulher da sua vida.
Tyler tinha ido até o balcão, e conversou com Violetta sobre a reserva da mesa 7, o que a fez pôr um sorriso no rosto e encaminhá-lo para o local. Violetta tinha quarenta anos e quase não tinha rugas no rosto, aparentava ser uma mulher bem vivida, com os cabelos loiros caídos nos ombros e os olhos azuis a remetendo uma clássica beleza de uma dama.
     Depois que Tyler provou do vinho, a especialidade do VINNAS, o que acabou o deixando mais feliz por ter certeza que Maya iria adorar, por mais que achasse que ela já tivesse provado, mas agora ela estava com ele, o que tornava tudo perfeito.
                                             “Mesa 7. Te espero.”
Tinha acabado de pegar o celular e mandar a mensagem. Dez minutos depois pôde ver Maya entrando pela porta do restaurante. Ela estava linda, com os olhos verdes seguindo o belo traço do seu rosto, o lindo cabelo preto solto sobre os ombros, e o vestido azul definindo o seu corpo numa linha de ternura e prazer, forçando os olhos de Tyler brilharem ensandecidos por ela.
Quando Maya caminhou para a mesa 7, não tinha ideia de que aquele homem sentado a metros dela, seria a pessoa que ela nunca tinha esquecido.
Quando, enfim, chegou à mesa 7, e percebeu que se tratava de Tyler Friech, o mesmo garoto que ela amou há anos atrás, e que não deixava esconder os traços do homem que era agora, Maya simplesmente franziu o cenho e não soube o que falar.
– Tyler? – Proferiu o seu nome de forma pesarosa. – O que faz aqui?
Ele não esperava essa reação da parte dela, Maya parecia incomodada com aquilo, com a situação. Será que Tyler tinha feito mal em começar tudo mentindo para ela, ou seria uma maneira mais fácil de se aproximar da mulher que ele amava?
– Olá, Maya! – Tyler levantou-se e aproximou-se dela. – Me desculpa eu ter mentido para você, eu só queria conversar um pouco.
– Eu não entendo, Tyler... – Maya não conseguiu acalmar-se, então começou a caminhar para a saída. – Eu não posso. Eu não posso, Tyler.
Ele conseguiu alcançá-la. A olhando nos olhos, tudo o que ele queria era dizer que a amava. Quando tocou nos braços dela, viu que uma mancha rocha, por menor que fosse, estava no seu braço esquerdo.
– Eu te amo, Maya! – Explicou Tyler. – Sempre te amei. Não deixe que as complicações entre as nossas famílias nos impeça de sermos felizes.
– Mas o tempo é o nosso pior inimigo, Tyler. Você acha que as coisas são fáceis? Lidar com a morte de meu pai e passar todos esses anos cuidando da minha mãe que está numa cadeira de rodas? – Maya deixou cair uma lágrima. – Não é fácil, Tyler. Se você me ama tanto porque não me procurou antes?
– Eu tentei, mas eu nunca soube para onde o seu pai a tinha levado. E finalmente eu tive a chance de te encontrar aqui, nessa cidade, onde mora a família do Hendrie. É o nosso destino, você não está percebendo?
Maya chorou profundamente e o abraçou. Com tanta força, que só a saudade saberia desaparecer entre eles.
– Eu também te amo, Tyler. Eu nunca te esqueci.
Tyler sentiu o cheiro dela, e o toque com carinho no abraço que só Maya conseguia dar. Ele pôs as mãos de cada lado do rosto dela, olhando firme nos olhos verdes que agora estavam encharcados de lágrimas.
Eu sei que o tempo é o pior de tudo, mas podemos recomeçar da melhor maneira. Confia em mim e deixa eu te levar pelas estrelas, deixa eu te fazer feliz novamente, e mostrar que todo o meu sofrimento longe de você acabou, e só resta amor. Eu posso te fazer feliz, se deixar que nossos lábios se toquem, para que assim os nossos corações voltem a bater do jeito que dois corações apaixonados batem quando se encontram. Eu sei que eu posso, e eu sei que você quer. Porque eu te amo. Porque o nosso amor ainda não morreu. Ele permanece como uma chama entre nós.
Os lábios se aproximaram, e os olhos límpidos fecharam-se com vontade e ternura, e apertaram-se um contra o outro, sentindo que um preenchimento agradável e incrível cobria todo um espaço aberto de anos de solidão. Como se o amor novamente selasse um desejo, uma união.
– Eu amo você. Eu amo muito você, meu amor. – Disse Tyler, sentindo as lágrimas de Maya escorrerem pela face.
– Eu te amo. – Complementou ela.
E continuaram se beijando, tendo como único teto o céu e as estrelas. Enquanto Tyler sabia que todo o amor que os dois tinham para dar estava ali, entrelaçado entre aquele beijo, e vivo dentro dos dois corações batendo freneticamente.
Longe dali, acima do mar, uma gaivota sobrevoava sozinha. Enquanto a luz da lua iluminava a água com uma beleza inexplicável.


                                                                                       ***
– Dayla está no hospital! – Avisou Hendrie.
– Dayla? – Tyler acordou e levantou-se depressa da cama, ainda lembrando da garotinha que tinha conhecido no prédio de Hendrie, tocando violino. – O que aconteceu?
Hendrie vestiu o casaco.
– Ela tem câncer, Tyler. – Explicou. – Já faz um tempo que ela faz fisioterapia, mas ela passou mal ontem, a mãe dela me ligou. Hoje vão raspar a cabeça dela para que o tratamento dê continuidade.
– Você vai voltar para Mark Fill?
– Sim, claro. Quero dar apoio à família, e principalmente, para Dayla. Você vem comigo?
Tyler parou e pensou durante alguns segundos, enquanto Tyler terminava de se arrumar em frente ao espelho.
– Você vai retornar?
– Se você resolver ficar, sim. – Disse Hendrie. – E eu acho até melhor que você fique aqui, você acabou de reencontrar Maya, e finalmente está dando tudo certo com vocês.
Ele tem razão. Pensou Tyler.
– Claro.
Hendrie entrou no veículo, logo depois de se despedir dos pais, que aceitaram deixar Tyler morando por um tempo lá, enquanto Hendrie estivesse fora.
– Então, você está namorando a filha do falecido Caster Drewson! – Afirmou Arnastyne Dalmer, sentando-se ao lado de Tyler na cama.
Tyler franziu a testa, como se fosse pego de surpresa. Na verdade ele tinha sido pego de surpresa.
– Eu vi você conversando ontem com Hendrie quando chegou do VINNAS. E eu acho que você está fazendo o certo, meu filho. Se você ama essa mulher, mesmo que ela seja filha do falecido Caster, você deve seguir em frente. Seguir o que o seu coração manda.
Arnastyne era uma excelente companhia, principalmente para quem precisava de incentivo.
– Sabe, eu e Carmeron tínhamos pais que não aceitavam a nossa relação, mas não foi por isso que resolvemos desistir. Sabíamos que não conseguiríamos viver um longe do outro, mesmo com todas as ordens desnecessárias das nossas famílias. Eu era uma simples garota que vivia em um bairro pobre de Mark Fill, mas mudei para Fich Jerman ainda na infância com minha família. E Carmeron era descendente de uma família de intelectuais militares, que foi se dissipando com o tempo. Não seria fácil os pais dele aceitarem que ele se apaixonasse por uma garota qualquer que tinha vindo de uma cidade desconhecida, e principalmente de um bairro de baixa renda. Eles repugnavam isso.
– E o que fizeram? – Tyler pôr uma das pernas na cama e prestou mais atenção na resposta da Sra. Dalmer.
– Ele me amava, e não tínhamos como convencer a família de Carmeron a aceitar que ficássemos juntos. Então fugimos. – As palavras de Arnastyne estavam ficando secas e sem força, e os seus olhos umedeceram. – Foi um tempo difícil. Eu vivi longe da minha família, e ele viveu longe da dele. Mas nos reerguemos, sempre confiando que o nosso amor venceria qualquer coisa. Até a fome e a insegurança. Tudo.
Tyler deu um sorriso quando Arnastyne o olhou nos olhos, tirando o olhar do chão. Uma lágrima caiu sob o seu rosto. E sua voz ficou embargada de emoção.
– Então não desista, Tyler. – Disse, segurando nas mãos dele. – Ela parece ser uma boa mulher. E se é ela que você ama, é ela que você deve acreditar que ficará para o resto de seus dias.
Tyler deu um sorriso e resolveu perguntar algo:
– Você ainda ama o seu marido?
Ela enxugou uma lágrima e respondeu:
– Com todas as minhas forças. – Ela suspirou e apertou as mãos de Tyler. – Eu nunca deixarei de amar Carmeron. – Ela o abraçou, e o beijou no rosto.
      Quando chegou a noite, Tyler saiu para espairecer. Tentou ligar algumas vezes para Maya para convidá-la para sair, mas ela não atendeu. Foi a um pequeno bar que se chamava THE MANIE RIVER, ao lado de uma lavanderia. Tinha pouco espaço para andar, e no máximo dez a onze homens estavam bebendo e conversando, uns assistindo futebol e outros falando sobre mulheres. Tyler escolheu uma mesa circular de madeira e sentou-se. Pediu uma cerveja e a bebeu, tentando esquecer que Maya talvez não quisesse mais vê-lo. Quando levantou para poder pagar e ir embora acabou esbarrando em um homem que aparentava ter a sua mesma idade, com os cabelos loiros e do mesmo porte físico de Tyler.
– Desculpa, cara. – Tyler tinha esbarrado no braço do homem e só depois percebeu que tinha deixado derrubar a cerveja dele. – Eu te pago outra.
– Está tudo bem. – Disse o loiro, limpando o pouco de cerveja que tinha ficado na blusa.
– Senta aí. – Tyler apontou para uma cadeira na sua mesa e foi buscar duas cervejas.
    Ficaram conversando toda a noite, e Tyler vez por outra ia para o lado de fora e ligava para Maya ou para Hendrie. Hendrie, pelo menos, atendeu e falou que Dayla estava bem, mas que já tinha retirado o lindo cabelo ruivo que ela tinha. O cara com quem Tyler conversava se chamava Albert Trey, e ele tinha uma aparência de durão, de uma pessoa agressiva, mas a conversa entre os dois fluiu com tanta facilidade que Tyler o adotou como amigo enquanto Hendrie estava fora da cidade.
A noite terminou com Tyler e Albert falando sobre futebol e mulheres.
 

                                                                                         ***

– Eu não deveria te falar isso. – Ian Silas estava sentado na cadeira de seu escritório com uma máquina fotográfica em mãos. – Eu não me aproximaria de Maya se fosse você, não com segundas intenções.
Tyler franziu a testa, e não tinha entendido o que claramente Ian queria dizer.
– Como assim? – Tyler prestou bem atenção no que Ian Silas dizia. – Por que não?
Tyler tinha contado para Ian sobre o fato de ele estar saindo com Maya, sabia que se tudo ficasse mais sério e o relacionamento entre os dois desse certo, Ian Silas deveria ficar sabendo de tudo, já que ele a patrocinava para a revista.
– Ela tem um namorado extremamente violento.
Tyler não suportou ouvir aquilo.
– Como é? – Tyler levantou da cadeira e olhou fixamente para Ian, com raiva.
– Eu só estou lhe dizendo isso, porque eu sei que você é um cara que pode fazer Maya feliz, e aquele troglodita que está com ela não a faz feliz. Está na cara!
Mas por que ela ainda está com ele? Pensou Tyler.
– Esse cara é totalmente louco. Ele inventou de invadir o estúdio um dia desses, e no meio de todos os fotógrafos começou a discutir com ela, dizendo que ela o tinha traído, e quando ele deu um soco no rosto, todos os seguranças puseram ele para fora na marra! – Ian ficou nervoso de lembrar-se daquele dia. – Maya dormiu na casa de uma amiga esse dia, mas dois dias depois já tinha voltado para ele.
Tyler pôs as mãos no rosto, não acreditando no que estava ouvindo. A garota que ele amou, e que continuava amando, nas mãos de um maníaco que a machucava.
– E você sabe quem é esse cara?
Ian Silas continuava passando as fotos na câmera, e lembrou-se de uma revista que guardava junto com as que colecionava, uma pertencente a Style Jerman Looks.
– Aqui. É ele! – Ian deu a revista para Tyler, e havia uma fotografia colorida de Maya num evento acompanhada por um cara loiro e alto. Ela sorria, obviamente, porque o evento era de gala. E ele dava um simples sorriso acanhado no canto da boca, vestido de terno e gravata.
– Eu não acredito. – Tyler ficou com os olhos postos na imagem. – Puta que pariu!
O cara loiro estava nítido na fotografia, e Tyler jogou a revista encima do balcão quando percebeu que o atual namorado e agressor de Maya era Albert Trey.
– O que você vai fazer? – Perguntou Ian.
– Eu estou tendo uma ideia. Eu queria muito bater naquele idiota até ele sumir da face da terra, mas eu não vou sujar as minhas mãos com ele. Eu tenho um plano, e quero que você me ajude.
Ian Silas guardou a revista na gaveta e apertou a mão de Tyler.
– Vamos acabar com ele!

                                                                                    ***
                                           
Ian ligou para Maya, e logo ela atendeu. Ele pediu para que ela fosse ao estúdio, enquanto Tyler ligou para Albert para ir ao THE MANIE RIVER novamente com ele, o que faria parte do plano. Por mais que Maya detestasse o fato de ser agredida, ela tinha medo de enfrentar Albert, talvez por ameaças constantes que ele fazia. Homens como Albert deveriam mofar na cadeia.
    Albert Trey chegou ao bar com um sorriso no rosto. Tyler estava sorrindo, por mais apreensivo que estivesse.
– Eaí, cara? – Albert tocou na mão de Tyler e a apertou.
Albert trabalhava em um prédio de contratações de designers, e todos os dias levava consigo uma mochila com documentos e lista de pessoas que queriam o emprego ou de desenhos que estampariam outdoors. Tyler pagou confidencialmente uma pessoa que trabalhava no mesmo prédio de Albert para pôr uma arma na sua mochila quando ele estivesse distraído. O rapaz que colocou a arma ligou para Tyler pouco tempo antes do encontro para confirmar. Tyler propôs que dois policiais ficassem de guarda sem o fardamento dentro do bar, avisando para eles que Albert queria matá-lo, mas que antes queria ter uma conversa séria, e que Tyler não escaparia daquele dia.
Tudo durou apenas dois dias, até que Tyler combinasse com o rapaz para pôr a arma na mochila de Albert, e avisar a polícia sobre ele, onde os dois policiais seguiram os passos de Albert dia e noite, principalmente quando ele chegava a casa. Sendo que a polícia testemunhara ainda que ele batera em Maya nesses dois dias assim que chegava a casa, o que seria muita sorte para o desenvolvimento do plano de Tyler. E muito azar para o futuro de Albert Trey.
– Senta aí. – Tyler teve que manter a expressão amedrontada, para que assim os policiais acreditassem cem por cento no que estava acontecendo.
– O que aconteceu, cara? – Albert notou a apreensão de Tyler.
– Você já era! – Tentou falar o mais sussurrado possível, para que os policiais não suspeitassem de alguma coisa. E acreditassem que o perigoso ali era Albert.
– Do que você está falando? – Albert franziu a testa, estranhando o comportamento do “atual amigo” que ele havia conhecido.
– Eu estou dizendo que você já era, cara. Eu sei tudo sobre você! – Tyler respirou fundo antes de olhar bem nos olhos de Albert. – Eu amo Maya. E ela não vai mais ser sua.
– Ah, então é um jogo de disputa, idiota? – A voz dele ganhou um tom de autoridade sinistro. – Você só é um fodidinho de merda, que acabou de chegar a cidade, e quer conquistar tudo, até a minha namorada? Isso nunca vai acontecer.
– Por que não vai? – Proferiu Tyler, ainda sussurrando. – Você vai bater nela de novo?
Albert colocou o dedo na cara de Tyler.
– Você não se mete na minha vida com ela. Foi ela quem contou de mim para você? Se for, ela vai levar uma surra das grandes quando eu chegar em casa hoje!
– Isso se você conseguir, otário! – Tyler riu. – Seu lixo!
Albert partiu para cima de Tyler com toda a agressividade, e Tyler gritou para os policiais do outro lado do bar.
– Ele está armado! – Ele caiu no chão junto com Albert. Que ainda estava com a mochila nas costas. – Ele vai atirar! Ele está armado!
Os policiais conseguiram tirar Albert de cima de Tyler quando ele deferiu um soco no rosto dele. Um deles, o policial com os cabelos grisalhos, puxou a mochila das costas de Albert e a abriu, enquanto o outro policial, o de óculos escuros e um bigode preto, o segurava por trás pelos braços.
– O que está acontecendo aqui? – Perguntou Albert, querendo se soltar.
O policial de cabelo grisalho pôs a mão dentro da mochila e encontrou um revólver carregado.
– Isso não é meu! – Disse Albert, com os olhos bem arregalados para Tyler. – Isso não é meu! Isso não é meu!
Tyler estava muito feliz, mas não queria demonstrar qualquer tipo de animação que pusesse tudo a perder.
– Nós estamos vigiando você há alguns dias, Sr. Albert! – O policial que segurava a arma em punho disse com o olhar pesado sobre Albert Trey. – Você já nos deu muita dor de cabeça, e isso já é o bastante para você passar um bom tempo com os seus amiguinhos. – O policial colocou a arma de volta na mochila. – Você está preso!
O outro policial pôs as algemas em Albert e o levou para a viatura. Enquanto todos que estavam no bar sussurravam e falavam sobre a confusão.
    Alguns minutos depois, enquanto Tyler esperava a confusão e as pessoas se dissolverem, o policial grisalho voltou ao bar.
– Você daria um ótimo policial, Sr. Tyler. – Ele apertou a mão de Tyler e sorriu, como se agradecesse profundamente. – Albert Trey já foi preso por tráfico de armas, mas foi solto. E agora novamente aprontou, mas a pena vai ser mais severa, até porque ele prometeu nunca mais andar com arma nenhuma.
Bingo! Pensou Tyler. Ainda bem que tudo acabou.
– Está tudo bem, policial. Muito obrigado por impedir uma tragédia hoje.
Tyler apertou a mão dele, e respirou aliviado.
– Eu só fiz o meu trabalho.

                                                                                         *** 
– Deu certo? – Ian Silas comemorou do outro lado da linha. – Graças a Deus!
Tyler ligou para Ian, que comemorou e contou a notícia para Maya.
– Acabou. – Maya abraçou Ian e chorou.  

                                                                                          ***
     Hendrie tinha voltado para Fich Jerman no fim de semana, mas Tyler contou tudo o que havia acontecido: O beijo em Maya, a prisão de Albert e a reconciliação. Hendrie aceitou voltar para Mark Fill e continuar ensinando os seus alunos, inclusive dando uma atenção maior a Dayla, que estava caminhando para uma recuperação milagrosa. Tyler moraria em Fich Jerman com Maya, e tentaria a vida como modelo da Style Jerman Looks, com o pedido oficial de Ian Silas.
      Tyler estava caminhando sobre uma ponte que atravessava um rio na entrada da cidade, com mãos dadas com Maya.
– Você salvou a minha vida. – Disse ela. – E eu agradeço por isso.
Tyler apertou a mão dela, sorrindo e lembrando-se de tudo que passaram juntos e tudo que enfrentariam dali para frente.
– Você que salvou a minha. Eu estava sem chão longe de você, e nem sei como consegui viver tanto tempo assim. Sem o seu amor, sem te tocar, sem te sentir.
Tyler apoiou-se na lateral da ponte de madeira, e Maya o abraçou, sentindo o calor dos corpos fluindo o amor novamente. Logo a seguir o deu um beijo carinhoso, que os levaram a terem uma crise de abstinência da terra.
– Eu te amo. – Ela disse, enquanto os dois iam distanciando os lábios.
Tyler sorriu, e pôs as mãos nos bolsos.
– Talvez seja cedo demais. – Disse, com a voz embargada. – Ou talvez seja tarde demais. Mas o destino prova que não podemos mais ficar um longe do outro, e tudo o que eu quero está aqui, com você. Um amor que eu quero levar para sempre.
Maya se afastou ao comando de Tyler. Logo depois ele ajoelhou-se, e dois violinistas se aproximaram tocando a música que eles ouviam quando adolescentes, e ela se emocionou quando lembrou.
– Maya Santana Drewson... – Tyler a pegou pela mão, e retirou de uma caixinha vermelha um anel de compromisso lindo, com pedras brilhantes azuladas. – Eu sei que eu não sou o homem mais rico, ou o mais bonito, ou o mais inteligente. Mas eu sou o homem que te fará feliz por todos os dias de sua vida, te amando e te aceitando em todos os momentos. – Uma lágrima caiu no rosto dela. – Você aceita casar comigo?
Ela sorriu e limpou a lágrima que caiu.
– É o que eu mais quero! – Ela respondeu. – Eu nunca o esqueci. E agora é para sempre.
Tyler levantou e a abraçou, a beijando amorosamente. Um beijo doce e delicado.
Ele nunca tinha desistido do amor verdadeiro. E agora sabia do quanto isso valeu a pena.


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