Bom pessoal, eu estou aqui não para indicar algum filme, série ou livro, mas para entreter vocês com uma história de autoria minha: Um ponto de Partida. Já tem algum tempo que a fiz. Bom, basicamente, esse conto vai tratar de Tyler Friech, rapaz que acabou de perder a esposa vítima de câncer e que quer recomeçar a vida aos poucos, sem nenhuma ideia de como encontrar-se novamente. Quando surge uma proposta de viajar com o melhor amigo para a casa dos pais, Tyler reencontra o amor de adolescência. Será que Tyler voltará a ser feliz? Quer saber? Leia e descubra:
*********** UM PONTO DE PARTIDA***********
As flores se estendiam ao redor dos jardins de
Mark Fill numa só combinação de cores e tamanhos. Mark Fill é uma cidade
tranquila, onde carros reduzem a velocidade quando necessário e motoristas
acenam para os pedestres desejando bom dia e um sorriso simpaticamente sulista.
As pessoas de Mark Fill eram as mais gentis que se podia imaginar, desde uma
criança que respeitava os pais até alguém que ajudasse os idosos a atravessarem
a rua na faixa de pedestres ao mesmo tempo em que carregavam as compras do
supermercado à casa.
As ruas tranquilas se transformavam em um belo paraíso aos sábados,
quando as domésticas saiam de casa para lavar a calçada, enquanto os cachorros
abanavam o rabo até o fim da rua, cheirando pessoas que passavam a mão na
cabeça do animal com tanta facilidade que pareciam serem todos donos do mesmo
cão.
O carro quase derrapou numa curva que dava
direto a uma pista movimentada em Rarville. A chuva que tinha caído na
madrugada deixou todos os moradores com rivalidade com o despertador, já que a
cidade mantinha o sol e a temperatura seca há três meses. Nenhum pássaro no céu
nublado, mas nos canteiros sombrios de pinheiros se aglomeravam dezenas de
filhotes de águias emitindo sons estranhos, ecoando vale adentro. Tyler Friech
ligou o rádio e pôs na estação de policiamento, onde informavam os crimes do
dia anterior: Setor de Vigilância sanitária não obedece a básicos processos de
autorização do governo; Dois sequestros na noite no bairro de Brinfrey, e
felizmente as vítimas passam bem; A madrugada mais fria comprovada esse ano em
Mark Fill, depois de três meses secos. A ótima notícia é que o prefeito
finalmente assinou o contrato de não derrubarem o prédio mais antigo da cidade
para fazer uma praça de eventos pública. Pelo menos para Tyler essa era uma boa
notícia, e sim, achava que o prédio era um dos símbolos da cidade, um
patrimônio local.
Não fazia nem uma semana que Tyler
estava desempregado, tentando sobreviver com os baixos custos que mal se
adaptavam a sua dura realidade. A High Scholl Mark era uma escola que fora
construída na década de cinquenta na pequena cidade, e hoje não era nada menos do
que uma área de disfunção pública, por causa da falta de investimentos com a
estrutura e a inadimplência do salário dos professores, pelo menos dos poucos
que tinha, e Tyler se incluía nessa lista.
Tyler adorava ensinar ciências,
procurava manter um foco na sala de aula e era altamente competente, e sentia
prazer em responder uma dúvida quando um aluno o procurava para esclarecer
coisas sobre o corpo humano, as várias doenças causadas por bactérias e
diversos assuntos sobre vegetais. E agora nada mais existia, nem a escola, nem
o prazer de ensinar. Dez anos acabavam da pior forma.
Uma lágrima morna caiu sobre o seu
rosto. Ele se recusou a enxugá-la.
Havia um mês que Tyler perdera a
esposa, Lyanna, com quem convivera durante muito tempo. Um câncer no abdome
mudou a sua trajetória de vida, um percurso que planejou trilhar com Lyanna. E
agora tinha acabado. Para sempre. Uma esposa perfeita, com quem queria dividir
um lar, filhos e uma vida conjugal, e agora nada mais restava além de um buraco
enorme no peito sendo ocupado com sombras e mais sombras de tristeza e profunda
solidão. Tyler tentou enxergar um futuro diferente, com uma pessoa diferente.
Talvez o transformasse. O preenchesse.
O carro vermelho de Tyler estacionou do lado de fora da DONETES MUSIC,
uma pequena casa transformada em um verdadeiro “Lar da música”. Hendrie Dalmer
Jr. era professor de música há cinco anos, tinha lá os seus trinta anos e
adorava ensinar crianças e adolescentes a tocar diversos tipos de instrumentos,
desde flauta a violão e piano.
A luz amarela acendeu no corredor, de
onde Tyler caminhava. De onde estava ouvia a doce melodia de um violino ao
fundo, tocando uma música dos Beatles, cada acorde alcançando maravilhosamente
os tímpanos. Quando se aproximou, viu uma garotinha ruiva de cabelos ondulados
com um vestidinho de seda verde no centro de um círculo pequeno da sala. O
violino apoiava-se perfeitamente em suas mãos, enquanto as cordas deslizavam
para sair o som. Ela continuou tocando, e uma dúzia de meninos e meninas não
desviavam os olhos dela.
– Eaí, Hendrie? – Tyler sussurrou,
aproximando-se do amigo o cumprimentando com um soco leve no antebraço.
– Oi, Tyler. Está tudo bem? – Desde a
morte de Lyanna, Hendrie perguntava todos os dias para o amigo se ele estava
bem ou se estaria precisando de alguma coisa, solidariedade era uma palavra que
com certeza existia no dicionário de Hendrie Dalmer Jr.
O violino atingiu uma nota aguda.
Depois suavizou.
– Ela manda muito bem. – Tyler ainda
não tinha visto aquela garota tocar, e por um minuto se condenou por não ter a
ouvido fazer aquilo. Ela aparentava ter uns nove anos de idade. Não, com
certeza ela tinha nove anos de idade. A sobrinha de Tyler tinha nove anos, e
era praticamente aquela garota na versão ruiva.
– Sim. Dayla tem um dom incrível da
música.
Tyler respirou, e queria cumprimentar a
garotinha com um sorriso quando ela terminasse de tocar. Mas quando o violino
saiu de posição e todos começaram a aplaudir, ele assobiou alto.
Dayla deu um sorriso bem aberto, e
inclinou-se para agradecer, pegando de leve na aba do vestido e cruzando as
pernas uma atrás da outra. Como uma mera dama faria.
– Vou passar a tarefa de casa e já
volto para te fazer um convite. – Hendrie se juntou aos demais alunos, e pegou
uma música de Lionel Richie, que estava impressa em algumas folhas que ele logo
entregou para cada um deles. – Tratem de escutá-la e iremos ensaiar na próxima
semana, o.k?
Todos os alunos menearam a cabeça e
responderam de imediato um “Sim” para Hendrie. Um por um, iam saindo pela porta
de entrada. Os adolescentes, na faixa dos quinze anos no máximo, voltavam a pé
pelas ruas molhadas, enquanto crianças menores esperavam pelos pais dentro do
DONETES.
Um carro buzinou do lado de fora, e
Dayla correu para fora, com a mochila do violino posta nas costas.
– Tchau Hendrie! – Ela sorriu e acenou,
e ele fez o mesmo. O seu olhar inocente e meigo voltou-se para Tyler. – Tchau
Homem-do-assobio! – Ela saiu e Tyler riu e acenou.
– Então... – Hendrie puxou dois
banquinhos. Sentou e mandou que ele sentasse e escutasse. – Amanhã eu estou
saindo de férias.
Saindo de férias? O que significava
sair de férias? Tipo, sair de Mark Fill?
– Como assim? – Tyler arrumou os
cabelos e o casaco marrom.
– Eu vou ficar fora por alguns dias.
Sete dias. Meus pais completaram trinta anos de casados ontem, e eu não pude
mandar um e-mail ou uma carta. Então vou fazer essa surpresa para eles. –
Hendrie coçou o nariz e arrumou o chapéu estiloso na cabeça. – Pensei que
talvez você quisesse ir comigo.
– Não, cara. Eu...
Hendrie o interrompeu.
– Cara. – Ele se inclinou e olhou nos
olhos de Tyler. – Você não pode ficar em casa, chorando pelos cantos, se
remoendo por causa do que está acontecendo com você. Eu sei que Lyanna era uma
boa mulher, mas as coisas acontecem cara, mas quando a morte atrapalha o nosso
caminho, mas não nos ataca diretamente, a vida continua. Não podemos parar. E
tenho certeza que você ainda vai encontrar alguém que te faça feliz. – Hendrie
retomou a sua posição. – E um emprego.
Hendrie riu, mas Tyler deu um leve
sorriso no canto da boca.
Ninguém
me fez mais feliz do que Lyanna. Pensou.
– Tudo bem. – Dessa vez ele deu um
sorriso completo. – Eu vou com você.
***
Não havia luz pela manhã, a não
ser por um poste com uma lâmpada desfocada na beira de uma calçada. Tyler olhou
pela janela e a vira úmida, novamente tinha caído uma garoa na madrugada, e
quando inclinou-se para olhar para as ruas habituais que cercavam as casas de
madeira com flores nas grades e toldos, notou um homem de casaco preto andando
se apoiando em uma bengala, ele era velho, aparentando oitenta e poucos anos,
mas com tanta disposição no olhar que não parecia ter essa idade. Tyler se imaginou
naquela idade, andando por aquelas ruas úmidas apoiado numa bengala, olhando
para o chão e pensando na vida que tivera no passado. Uma vida que achava ter
perdido quando Lyanna havia morrido, uma vida que por mais que chorasse não
iria voltar. Bocejou. E viu o sol levantar no horizonte, e as sombras formavam
figuras nas paredes e as árvores pareciam tortas e dançantes quando a sombra se
estirou por quase três metros na estrada.
Hendrie parou em frente a casa do amigo, a
buzina soou lentamente, quase um sussurro de uma nota. Quando Tyler saiu, o sol
ainda iluminava a dimensão do vale para trás, o que faria aquela parte das
casas ficar tão escura quanto a própria noite.
–
Vamos lá. Seguindo o sol meu amigo, seguindo o sol. – Hendrie pôs um sorriso no
rosto. Aquela era uma passagem do poema de um escritor britânico. – Seguindo o
sol como se fosse uma vespa. Zunindo e cantando para nós o amor. E vamos lá,
caçá-la e voltar para casa. Antes de o sol se pôr.
–
É isso aí. – Tyler entrou no automóvel cinza claro de Hendrie, pondo o cinto de
segurança na altura do abdome, logo após ter colocado as malas na parte de
trás, nos bancos alargados e almofadados.
O
carro seguiu pela estrada de Rarville, dobrando a esquina de Gambry Doller onde
uma bifurcação cortava uma estrada e dava na direção de uma paisagem de
arbustos verdes e a outra numa montagem esquisita de tulipas e girassóis na
plantação, e era lá aonde a luz do sol chegava com mais intensidade.
–
Já reservei um lugar no BANNER’S pra gente.
Banner’s
era um famoso bar de um velho amigo da família: Gilbert Lincon. Gilbert tinha
por volta dos quarenta e cinco anos, tinha cabelos grisalhos e usava um bigode bem
cortado e ajustado, também grisalho.
O
som do automóvel era suave na pista molhada, e quase não tinha carros na
estrada, apesar de uma Picape e um BMW passarem com uma velocidade acima do
normal ao lado do veículo de Hendrie. E como se não bastasse, um careca barbudo
e atarracado de gordo com piercing’s no nariz e sobrancelha e uma tatuagem de
uma caveira acima do olho, pôs a cabeça para fora da janela do carona da Picape
e gritou uma porção de palavrões que deixaram Hendrie nervoso, mas não podia
perder a cabeça, não podia sair de si. Esse não seria ele. E mesmo que
quisesse, não sujaria as mãos com os irmãos Bradley, os quatro caras mais barra
pesada de Mark Fill, que metiam medo até na polícia local, filhos do xerife da
cidade: Bruce Bradley.
A última curva na estrada dando direto
para Hamfilly, uma pequena vila no interior de Frich Jerman, era catalogada por
minúsculos pontos de vegetações inclinadas e que serpenteavam em direção à
floresta perto do rio, delineando os espaços necessários para os agricultores
da região. O posto 9, era assim que chamavam, se localizava logo atrás de um
cemitério local, ainda na entrada da cidade, e tudo era estranho quando
adentraram oficialmente em Frich Jerman, parecia um lugar deserto e abandonado,
como em filmes de ficção científica. O cheiro de fumaça e óleo diesel estava
por toda parte, e o carro desacelerou quando parou em frente a um semáforo
depois de passar direto pelo posto de gasolina.
Uma
placa enorme posta na lateral de uma estrada de terra ostentava a enorme imagem
de um cavalo Puro Sangue preto lindo com a crina esvoaçante, era um slogan de
uma marca de automóveis desconhecida. Nas proximidades de Frich Jerman
encontrava-se casas embutidas com jardins bem cuidados e algumas fazendas
privadas cercadas de arame farpado e madeira.
Depois
de percorrerem vários quilômetros finalmente tinham chegado ao urbanismo da
cidade, e deixando de lado a não muito agradável paisagem assombrosa e
arrepiante dos primeiros quilômetros de estrada da entrada do local, finalmente
puderam sentir um cheiro diferente e ouvir barulhos de buzinas e os sapatos de
transeuntes nas calçadas e atravessando ruas, conversas e risadas, portas de
lojas se abrindo e uma sineta tocando, como uma daquelas cidades muito
tradicionais e pequenas, porém com todas as hospitalidades que lhe permitisse
transferir. Hendrie continuou dirigindo por mais alguns metros, até felizmente
chegar à casa dos pais.
A
mãe de Hendrie era uma senhora de cinquenta anos de idade, ostentava uma beleza
que poucas tinham. Anos atrás conseguiu ganhar por dois anos consecutivos um
concurso internacional de modelos, e anos depois aperfeiçoou os seus dotes
culinários em outro concurso, que levara o prêmio de Cozinheira Chefe Do Ano.
–
Hendrie! Como é bom vê-lo, meu filho! – Hendrie saiu do carro e abraçou a mãe
que vinha saindo de uma casa de dois andares, era feita de madeira turca
vermelha e com a fachada verde, detalhada com flores em casos caídos do toldo
por uma fina corrente de metal.
Arnastyne
Dalmer usava os cabelos morenos, porém com alguns fios grisalhos, presos num
rabo de cavalo. Era magra e elegante, como uma daquelas beldades que estampam a
capa de uma revista de moda, mas ela tinha muito mais a ver com uma das
celebridades famosas que desfilou para diversas empresas e que se aposentou.
Com os seus cinquenta anos, ela exibia um corpo perfeito, de dar inveja mortal
para mulheres mais novas, com uma silhueta demarcando os quadris e o busto e a
cintura curva e bem desenhada.
Ela
deu um beijo no rosto do filho e segurou com as duas mãos cada uma das
têmporas, analisando cada traço do rosto de Hendrie. Logo após olhou para trás
e deu um sorriso simpaticamente hospitaleiro para Tyler, e desceu os poucos
degraus que dava da varanda para o pequeno caminho de pedras do jardim.
–
Tyler Friech! – Ela o abraçou e sussurrou as boas vindas. – Você tem os traços
de sua mãe. – Ela tocou no rosto dele como fizera com o de Hendrie. E depois
deu um passo para trás e o olhou de cima abaixo. – Porém o físico de seu pai. O
durão Emmit Friech! – Ela deu uma risada baixa e contagiante.
Emmit
Friech nasceu e morou boa parte de sua vida em Mark Fill, com o filho e a
mulher. Ele era um bom pai e um excelente marido, embora frequentasse um cargo
importante no conselho da cidade. As suas várias formas de protestar contra
severas táticas do governo em função da retirada de moradores de locais pobres
para construir prédios e lugares públicos, e sobre uma determinada cúpula que
tentava remediar os processos básicos de saúde da população para insistir nos
processos democráticos de transportes públicos. Alguns anos depois, Emmit
Friech deixou o cargo de conselheiro de Mark Fill e viajou para a Carolina do
Norte com a esposa, embora Tyler quisesse continuar morando na cidade, tinha
acabado de conseguir um emprego de ajudante numa Delicatéssen, e não queria
perder a oportunidade de caminhar com os próprios pés. Foi nessa Delicatéssen
que acabou conhecendo Hendrie, depois de uma briga furiosa de dois homens no
estabelecimento, que os dois tentaram separar.
–
Vamos entrar. Por favor. – Arnastyne subiu os poucos degraus segurando o braço
de Tyler num apoio e conversando com Hendrie sobre como o pai dele estava feliz
por ele ter conseguido um emprego de músico. Ou melhor, professor de música.
A
casa era uma réplica das características pós-guerra, o chão em tons bem simples
com quadros nas paredes de Carmeron Dalmer, pai de Hendrie, durante o período
que serviu o exército do Iraque. Nas fotografias se mostrava um exímio soldado
da década de setenta, com um belo cavanhaque emoldurando o rosto rígido. O
sorriso tinha desaparecido, dando lugar a um semblante de uma expressão morta.
Em outros porta-retratos aparecia com o quepe e capacete debaixo do braço,
abraçando companheiros da guerra, e por incrível que pareça, uma das únicas
fotografias que Carmeron sorria abertamente, uma daquelas risadas de doer o
estômago. Agora não, no momento mais parecia um ensandecido ex-soldado que se
lembrava dos tempos de guerra como tempos difíceis e sem necessidade de
contemplar aquele tempo como parte da sua história.
Carmeron
sorriu quando viu o filho, acompanhado da mãe, entrar pela porta.
–
Hen! – Desde quando Hendrie tinha sete anos de idade, o pai resolve chamá-lo só
por metade do nome, como uma forma de ficar mais íntimo do filho, depois do
longo período que ele teve longe de Hendrie na guerra. – Acabou de começar a
partida de futebol Americano!
A
TV não era tão grande, mas ocupava um espaço de um metro e meio estendida perto
da lareira.
–
Vou fazer uns hambúrgueres. – Arnastyne se dirigiu à cozinha com aquelas
passadas leves encima do salto.
Tyler
se sentiu à vontade, estranhamente à vontade na casa do amigo, acomodando-se em
uma das duas poltronas que estavam na sala.
A
fogueira crepitou rapidamente e soltou fagulhas no capacho vermelho e dourado
aos pés de Tyler.
Um
Touchdown foi marcado no jogo e sem querer saiu um palavrão da boca de
Carmeron. No mesmo instante que Arnastyne vinha da cozinha com os hambúrgueres.
***
– Ian Silas ligou. – Hendrie estava
pegando as chaves do carro e vestindo o casaco preto. Já era final de tarde, e
o céu era em parte vermelho e arroxeado, mas o clima permanecia o mesmo.
–
Quem? – Tyler perguntou quem seria o tal de Ian Silas, demonstrando interesse
em saber o que ele fazia e qual o motivo de Hendrie sair às pressas para
encontrar com ele.
Hendrie
pôs o gorro e abriu a porta.
–
Ele é dono de um estúdio de fotografias aqui de Frich Jerman. Há tempos que eu
não o vejo, e agora ele me ligou dizendo que queria me encontrar para
conversarmos sobre as fotos que ele estava tentando marcar comigo.
–
Ele tem um estúdio de fotos? – Tyler franziu a testa e pôs o seu gorro.
–
Não só um estúdio de fotos. – Hendrie abriu a porta do motorista e sentou no
banco acolchoado, enquanto Tyler se acomodava no do carona. – Ele é um dos
administradores da Style Jerman Looks,
uma revista local.
Hendrie
Dalmer lembrava um modelo de revista dos pés à cabeça. Tinha olhos azuis e o
maxilar reto, o nariz empinado e o cabelo loiro no estilo mais despojado
possível. Apesar de ter como uma atividade indispensável comer, ele era magro e
tinha um físico atlético muito bem desenhado.
–
Desde quando você conhece Ian Silas? – Quis saber Tyler.
Hendrie
virou uma curva e seguiu por uma pista tranquila e com poucos carros
estacionados em vagas de supermercado e lojas de conveniências.
–
Ele conhece meu pai há muito tempo, e eu praticamente fui criado nessa cidade.
As primeiras fotos que eu tenho foram tiradas no estúdio de Ian, eu devia ter
uns quatro anos de idade. O álbum é guardado com toda a segurança do mundo com
a minha mãe.
Durante
toda a infância Hendrie viveu com os pais em Fich Jerman, mas resolveram mudar
de cidade quando Carmeron aceitou um emprego de um velho amigo da família na
cidade de Mark Fill, onde trabalhou durante dez anos, período em que as
condições da família Dalmer melhorariam, e acabaram saltando de maneira abrupta
quando Hendrie também conseguiu um emprego na delicatéssen, onde começou a
ganhar dinheiro de modo fixo.
O
carro de Hendrie estacionou em frente a um enorme estúdio de fotografias, na
parte mais iluminada e movimentada de Fich Jerman. A noite tinha chegado e
pessoas começavam a sair de suas casas, com os seus carros e seus filhos. As
enormes letras na fachada do estúdio condecoravam o verde chamativo, com o nome
PIXEL em azul ofuscante. Tyler saiu do veículo e acompanhou Hendrie pela porta
principal e pelo corredor que dava direto a uma sala grande e cheias de câmeras
e fotógrafos. O estúdio era branco e havia umas quinze pessoas no mesmo espaço,
maquiando, escolhendo roupas, pousando para as fotos e retirando as fotografias
das modelos. Hendrie seguiu por um emaranhado de fios até chegar a um corredor
cheio de quadros onde tinha uma escada que levava para o andar da gerência.
Tyler subiu todos aqueles degraus, até chegar a uma sala, a única sala do andar
de cima. Hendrie abriu de imediato a porta, e entrou.
Ian
Silas usava um chapéu pequeno e tinha os olhos verdes, aparentava uns sessenta
anos, mas em ótima forma para um homem de sua idade. As rugas no rosto eram uma
marca do seu envelhecimento, mas Ian mantinha uma alma infantil e de gentileza
desde o tempo que conheceu Hendrie.
–
Bom vê-lo novamente, meu jovem rapaz! – Ian abraçou Hendrie e mostrou um
sorriso amarelo de satisfação. – Bem vindo novamente à Fich Jerman!
Hendrie
meneou a cabeça, contente pela hospitalidade que a sua cidade natal estava lhe
dando.
–
Continua o mesmo garoto que conheci anos atrás. Uma ótima modelagem você tem,
meu rapaz! – Ian Silas avistou Tyler do outro lado da escrivaninha, e ficou
surpreso por reconhecer outro modelo. – Você também tem modelagem, meu jovem!
Características bem chamativas e um belo rosto!
Tyler
sorriu.
Seria
uma boa proposta?
Agora
que estava sem emprego, aceitar um como modelo fotográfico?
Quando
os dois saíram da sala de Ian, quarenta e cinco minutos depois, Tyler se
dirigiu ao estúdio branco para analisar mais o local que poderia aceitar o
emprego, sabia que estava tendo uma boa oportunidade para trabalhar em Fich
Jerman e viajar para o exterior e visitar os pais a qualquer hora,
principalmente depois que Ian Silas lhe deu as coordenadas de tudo que o
rodeava naquele estúdio e sobre como é ser um modelo fotográfico com fama.
Um cara baixo e forte, com óculos-escuros
no alto da cabeça e vestindo uma camiseta social e um Jeans tirava as fotos de
uma loira com um corpaço único, ela tinha lábios finos e seios pequenos, usava
uma echarpe no pescoço e um top verde com uma saia fina de seda azul. Tyler
cruzou os braços para analisar a sessão de fotos, flashes por toda parte.
Hendrie continuava conversando com Ian Silas numa outra sala, ainda no mesmo
andar. Alguns minutos depois a loira se dirigiu ao fotógrafo e analisou as
fotos junto a ele, concordando com as que ficaram boas para o seu destaque na
revista Style Jerman Look. O homem de
óculos na cabeça, que tirava as fotos, sentou em um banquinho e tomou um gole
da água na garrafa ao seu lado, se preparando para mais uma modelo. Tyler olhou
para trás e notou Hendrie descer as escadas com Ian, mas quando retornou o
olhar para o estúdio a outra modelo já estava posicionada, sentada em um banquinho
alto, idêntico ao que o fotógrafo estava sentado minutos antes.
Tyler
prendeu a respiração, como se acabasse de se chocar contra uma parede, como se
o ambiente não tivesse mais oxigênio. A única coisa que mexia com o seu corpo
era o coração, que bombeava rapidamente, aumentando a velocidade de sangue
percorrendo todo o percurso sanguíneo.
Era
ela, a única mulher que tinha feito o coração dele bater daquela forma, naquele
ritmado poder de turbulência apaixonante, revirando tudo de bom que ainda existia,
as lembranças e as formas de carinho. Tudo.
–
Cara, não me diz que aquela é a... – Tyler não conseguiu expressar uma voz
interior, quando Hendrie se posicionou ao seu lado.
–
Maya Drewson! – Ian também chegou do outro lado de Tyler, pondo uma das mãos no
ombro dele, seguido de um sorriso. – A minha melhor modelo. A mais linda. E a
mais profissional!
Meu Deus, não pode... Isso não está
acontecendo. Depois de tanto tempo...
Pensou
Tyler Friech.
Maya
era linda, maravilhosamente linda. Tinha cabelos pretos e um olhar verde, por
baixo da roupa amarela que desenhava sua silhueta em traços perfeitos existia
uma pele e um corpo que Tyler adorava tocar anos atrás. E por trás daquela
modelo existia uma menina tão linda por dentro quanto por fora.
–
Meu amor. – Sussurrou Tyler, enquanto analisava o seu antigo amor de
adolescência, interrompido por duas famílias que não se conectavam, e que agora
tudo estava diferente, tudo havia mudado. Era como se sentisse uma maré puxar
alguém para dentro do oceano, à mercê de tudo de bom, de coisas lindas que
correm o mar, de infinitas paixões entre corais. E tudo isso era maravilhoso de
sentir, maravilhoso de viver. E Tyler nunca abandonara isso, nunca sequer
deixou de amar Maya só por causa da distância, mas o tempo cuida de dois
corações, assim como cuida de dois seres que se amam.
Caster
Drewson e Emmit Friech fizeram parte do Conselho Governamental de Mark Fill
durante longos anos. A rivalidade das famílias não começa somente quando Caster
tentava cumprir mandados judiciais para a derrubada de obras públicas antigas e
defender as melhorias da população tendo que retirar moradores de conjuntos
habitacionais para construir hotéis de luxo, sendo que a maioria da população
da zona de baixa renda não teria como pagar se o governo não lhes oferecesse um
bom rendimento. Emmit tentava fazer o oposto do que Caster fazia, tentava lutar
pela melhoria de bairros pobres, investindo na educação e pacificação de
bairros de zonas abandonadas pelo governo, onde ainda existiam modos de cooperar
com moradias e construções de custo fundamental do governo, porém com melhores
condições para a população de renda mínima de Mark Fill. Quando Caster resolveu
colocar quase uma dezena de tratores para derrubar uma escola enorme que seria
substituída por um museu, Emmit tentou convencer todo o conselho de que o
melhor a fazer seria reformar a escola com todo o espaço que ela tinha, para
assim, aproveitar todo o lugar que ela oferecia para montar o museu, mas Caster
tentou mascarar a situação mostrando que seria melhor a derrubada do patrimônio
e a construção total do museu. Emmit acreditava que pessoas como Caster eram
mais corruptas no que pensavam do que no que faziam, e logo se afastou do
conselho, que não demorou muito tempo para se desfazer por completo. Anos mais
tarde, Caster Drewson veio a falecer, com um tumor no cérebro, deixando a
filha, Maya Drewson, com a mãe morando em uma casa longe de Mark Fill.
Separando, assim, Maya de Tyler, que já estavam juntos há um ano.
Passado
um bom tempo, Maya seguiu a carreira de modelo no exterior e mudou-se para Fich
Jerman, aceitando o pedido de Ian Silas para tratar de sua carreira. Tyler,
depois que Maya partiu, desistiu de trabalhar na Delicatéssen e estudou
bastante para se formar em Biologia. E quanto a Hendrie, também deixou o
emprego e aprendeu a gostar de música quando saiu da faculdade de direito,
querendo seguir ensinando crianças e adolescentes.
Hendrie
pediu que Tyler entrasse no carro e ficou alguns minutos dentro do estúdio, e
logo depois saiu.
–
Vamos – Hendrie girou a chave na ignição e deu a partida. – Temos um jantar no
BANNER’S.
Tyler
só conseguiu pensar em Maya sorrindo.
Ele
não queria mais nada nesse mundo, longo então, nada o faria mais feliz.
Tudo
o que ele queria e se sentia feliz estava ali. Ela estava ali.
Por
que não tentar?
***
O bar de Gilbert Lincon era todo
revestido de uma madeira arroxeada, era um dos lugares que te deixava com toda
a animação a mil assim que entrava no estabelecimento, ao mesmo tempo em que
encontrava pessoas legais e bem humoradas, dançando ou abraçadas com amigos e
com um copo de cerveja na mão.
–
Mister Hendrie! – Gilbert saiu de trás do balcão de madeira do BANNER’S e
cumprimentou Hendrie com um abraço, e segurou o chapéu branco acima da cabeça.
Gilbert tinha a mesma altura de Hendrie, embora fosse mais velho. O bigode e o
cabelo grisalhos demonstravam uma simpatia acalorada e vívida para os clientes.
– Quando você ligou eu pensei que fosse mais um daqueles vagabundos que ligam
para o meu bar pedindo pizza. Quem eles pensam que são? – Gilbert retornou para
trás do balcão. – Ou melhor, quem eles pensam que eu sou? Algum motoboy maluco
dono de bar que sai por aí entregando pizza?
–
E o que você diz? – Perguntou Hendrie, provavelmente adivinhando o que ele
diria.
–
Eu digo que enviarei a pizza se eles me deixarem de presente as irmãs deles.
Hendrie
riu alto e Gilbert acompanhou, enxugando um copo.
–
E esse quem é? – Gilbert estendeu a mão e cumprimentou Tyler.
–
Tyler Friech! – Tyler levou um sorriso à boca e apertou a mão de Gilbert.
–
Seja bem-vindo ao meu bar, Mister Tyler!
Gilbert
tratava os clientes como “Mister’s”, as mulheres eram chamadas de “Lady’s”.
–
A mesa está reservada! – Disse Gilbert. – Fiquem à vontade!
Hendrie
e Tyler seguiram por um caminho pequeno até chegarem à mesa quadrangular que
estava no canto do bar.
–
Legal. – Tyler olhou em volta, e meneou a cabeça. – Gostei do bar. E da
hospitalidade Jermanesca.
–
Pois bem, amigo, aproveite o passeio pela cidade que todo mundo conhece todo
mundo.
Talvez eu deva morar aqui, para que
Maya possa me conhecer melhor. Pensou Tyler.
As
cervejas chegaram à mesa um minuto depois, trazidas pelo próprio Gilbert. Uma
música country tocava ao fundo, fazendo algumas pessoas dançarem com os seus
pares numa pista bem espaçosa do outro lado de onde eles estavam sentados. Tudo
aquilo dava um toque de cenário de faroeste, mostrando os detalhes das roupas e
chapéus de pessoas, a música e como algumas pessoas calçavam botas de couro.
E
por mais que Tyler e Hendrie não estivessem conforme todas elas, estavam se
sentindo confortáveis até demais.
Hendrie
pôs a mão no bolso e retirou algo.
–
Está aqui. – O papel que ele retirou do bolso, e colocou em frente a Tyler na
mesa, estava dobrado.
–
O que é isso?
Tyler
pegou o pedaço de papel e abriu.
–
Não pense que eu não notei o seu olhar para Maya. E não pense que eu não acabei
descobrindo também que ela é, por acaso, a filha do falecido Caster Drewson, e
que tudo entre vocês ainda não terminou. – Proferiu Hendrie, tomando um gole da
cerveja e se aconchegando na cadeira.
–
Você... – Tyler segurou o papel entre os dedos e não desgrudou os olhos dele,
enrugando a testa de felicidade.
–
Sim. Eu peguei o número dela para você.
Tyler
se sentia constrangido por ele mesmo não ter feito aquilo, mas tinha medo de
tudo dar errado, de Maya ter uma reação inesperada. Então, agradeceu ao amigo e
guardou o papel no bolso.
–
Eu sei que você ainda a ama, Tyler. – Disse Hendrie, olhando nos olhos do
amigo.
Sim,
Tyler a amava incontrolavelmente. Mesmo que tivesse se casado com Lyanna e
passasse dias felizes ao lado dela, tudo era só um preenchimento de um buraco
no peito de Tyler que clamava por amor. Mas ele sabia, que por mais que Lyanna
não fosse a mulher com quem ele sonhou um dia envelhecer, ela com certeza tinha
convicção de que Tyler era o homem da sua vida, e ele fez de tudo para
sustentar isso até o final. Por respeito à mulher que lhe amava. Por respeito
aos dias que passaram juntos, e pelos sentimentos que ambos perduraram até o
dia da morte dela.
–
Como você conseguiu? – Tyler se inclinou para falar bem perto do ouvido de
Hendrie, quando se levantaram, depois de tomarem umas duas cervejas.
–
Ian tem os contratos de todas as modelos, com informações básicas, inclusive o
número de contato de todas elas. Só precisei convencê-lo a me dar o de Maya, e
então ele cedeu. – Hendrie soluçou, pondo a mão na boca.
A
música estava alta demais, e então, os dois se despediram de Gilbert e foram
para o lado de fora, com Hendrie girando as chaves no dedo.
–
Então não foi ela que deu o número? – Perguntou Tyler, desolado.
–
Lógico que não. – Hendrie pôs as mãos nos bolsos do casaco e chutou uma latinha
de cerveja que estava no chão. – Eu acabei de chegar à cidade, ela não me
reconheceria, lógico que não seria de tamanha gentileza pedir o número de
telefone dela de uma hora para outra. Seria muita audácia de minha parte.
Tyler
olhou para o céu escuro. A lua magnificamente estonteante no alto, e tudo o que
ele queria fazer era correr sem destino pelas ruas de Fich Jerman, encontrar
Maya e dizer o quanto ele a amava. Sempre a amou.
***
– Coragem Tyler! – Comandou a si mesmo.
As
luminárias do quarto estavam acesas e refletiam uma luz amarelada, onde formava
uma penumbra no canto das paredes. Precisou ficar um pouco sozinho, para que
tomasse a iniciativa de ligar para Maya Drewson.
O celular estava sendo comprimido na palma
da mão de Tyler, eram quase sete horas da noite, ele sabia que ela sairia do
estúdio às seis e meia, então não queria perder tempo. Queria ver, conversar e
abraçar ela ainda naquele dia.
Achou
estúpido de sua parte ficar ensaiando o que falaria para ela quando ouvisse a
sua voz do outro lado da linha, mas no final apenas aceitou que diria o que o
seu coração mandasse, o que o Tyler, de anos atrás, falaria com Maya, também de
anos atrás.
Ele
escutou chamar. Ainda não tinha acreditado que teve forças para teclar os
números. Ele sentiu uma pontada de vergonha quando lembrou que o Tyler
adolescente não faria esse papel, então tentou enfrentar as coisas com mais
sutileza do que amedrontamento, e teve que respirar fundo antes de ouvir uma
voz do outro lado da linha.
–
Alô? – Maya atendeu, com uma linda voz feminina.
–
Alô! – Respondeu Tyler. – Por favor, Maya Drewson?
Tyler
não quis se revelar de cara, preferiu marcar um encontro, para que assim
pudessem conversar com mais calma.
–
Sim, sou eu. – Respondeu Maya, com toda a gentileza que sugeria na voz.
–
Eu trabalho com Ian Silas, não diretamente, mas eu auxilio na revista Style Jerman Looks.
–
Ah, sim. – Ela deu um suspiro do outro lado da linha. – Posso ajudar em alguma
coisa?
–
Eu posso encontrar com você, se não for incômodo, é claro. – Tyler não quis ser
direto, mas também não queria se afugentar, tinha a chance nas mãos.
–
Ah, tudo bem. – Proferiu. – No VINNAS. Daqui a uma hora, pode ser?
Estava
bem óbvio que Tyler não tinha a menor ideia de onde ficava o VINNAS, mas
resolveu topar.
–
Claro, tudo bem. – Disse Tyler. – Eu estarei te esperando.
–
O.k – Maya desligou o celular, enquanto Tyler o deixou colado na orelha por um
bom tempo, o instante que conseguiria respirar normalmente.
VINNAS.
Onde ficaria?
Tyler
não tinha a menor ideia, mas Hendrie com certeza saberia muito bem onde ficava.
Quarenta e cinco minutos depois, Tyler
estava devidamente vestido para o encontro com Maya no VINNAS. Depois que
Hendrie o deu as coordenadas de onde ficava, ou melhor, insistiu que fosse o
seu motorista naquela noite. Tyler vestia uma camisa social branca e um terno preto
por cima, a noite estava maravilhosa, e felizmente nada de umidade prevalecia
no ar, o que o deixou com mais ansiedade para ver Maya com uma linda roupa e um
belo sorriso ao encontrá-lo.
O
carro de Hendrie parou em frente a um restaurante com uma placa enorme que destacava
o nome do restaurante, não tinha como não saber que ali era o VINNAS.
–
Já está reservada a mesa 7 para vocês. Violetta reservou a melhor mesa do
restaurante. Aproveitem.
Tyler
achava o máximo Hendrie conhecer e ser íntimo de muitas pessoas de Fich Jerman,
logicamente por que o Sr. e a Sra. Dalmer viviam há muito tempo ali, naquela
pequena e simpática cidade, e Hendrie passou boa parte da vida naquele lugar,
não seria diferente.
–
Ah, e oferece a especialidade da casa para ela. – Disse Hendrie. – O vinho.
Tyler
riu e arrumou o terno.
–
Como eu estou? – Ele fez uma pose quando saiu do veículo.
–
Do jeito que Maya vai adorar!
Hendrie
pisou no acelerador e foi embora, enquanto Tyler entrou no VINNAS e se encantou
pelo espaço romântico e agradável que estava. Um pianista ao fundo tocando Clair de Lune, de Claude Debussy. O
restaurante não tinha poucas pessoas, mas também não lotava o espaço. O que
dava o ambiente perfeito para reconquistar a mulher da sua vida.
Tyler
tinha ido até o balcão, e conversou com Violetta sobre a reserva da mesa 7, o
que a fez pôr um sorriso no rosto e encaminhá-lo para o local. Violetta tinha
quarenta anos e quase não tinha rugas no rosto, aparentava ser uma mulher bem
vivida, com os cabelos loiros caídos nos ombros e os olhos azuis a remetendo
uma clássica beleza de uma dama.
Depois que Tyler provou do vinho, a
especialidade do VINNAS, o que acabou o deixando mais feliz por ter certeza que
Maya iria adorar, por mais que achasse que ela já tivesse provado, mas agora ela
estava com ele, o que tornava tudo perfeito.
“Mesa 7. Te espero.”
Tinha
acabado de pegar o celular e mandar a mensagem. Dez minutos depois pôde ver
Maya entrando pela porta do restaurante. Ela estava linda, com os olhos verdes
seguindo o belo traço do seu rosto, o lindo cabelo preto solto sobre os ombros,
e o vestido azul definindo o seu corpo numa linha de ternura e prazer, forçando
os olhos de Tyler brilharem ensandecidos por ela.
Quando
Maya caminhou para a mesa 7, não tinha ideia de que aquele homem sentado a
metros dela, seria a pessoa que ela nunca tinha esquecido.
Quando,
enfim, chegou à mesa 7, e percebeu que se tratava de Tyler Friech, o mesmo
garoto que ela amou há anos atrás, e que não deixava esconder os traços do
homem que era agora, Maya simplesmente franziu o cenho e não soube o que falar.
–
Tyler? – Proferiu o seu nome de forma pesarosa. – O que faz aqui?
Ele
não esperava essa reação da parte dela, Maya parecia incomodada com aquilo, com
a situação. Será que Tyler tinha feito mal em começar tudo mentindo para ela,
ou seria uma maneira mais fácil de se aproximar da mulher que ele amava?
–
Olá, Maya! – Tyler levantou-se e aproximou-se dela. – Me desculpa eu ter
mentido para você, eu só queria conversar um pouco.
–
Eu não entendo, Tyler... – Maya não conseguiu acalmar-se, então começou a
caminhar para a saída. – Eu não posso. Eu não posso, Tyler.
Ele
conseguiu alcançá-la. A olhando nos olhos, tudo o que ele queria era dizer que
a amava. Quando tocou nos braços dela, viu que uma mancha rocha, por menor que
fosse, estava no seu braço esquerdo.
–
Eu te amo, Maya! – Explicou Tyler. – Sempre te amei. Não deixe que as
complicações entre as nossas famílias nos impeça de sermos felizes.
–
Mas o tempo é o nosso pior inimigo, Tyler. Você acha que as coisas são fáceis?
Lidar com a morte de meu pai e passar todos esses anos cuidando da minha mãe
que está numa cadeira de rodas? – Maya deixou cair uma lágrima. – Não é fácil,
Tyler. Se você me ama tanto porque não me procurou antes?
–
Eu tentei, mas eu nunca soube para onde o seu pai a tinha levado. E finalmente
eu tive a chance de te encontrar aqui, nessa cidade, onde mora a família do
Hendrie. É o nosso destino, você não está percebendo?
Maya
chorou profundamente e o abraçou. Com tanta força, que só a saudade saberia
desaparecer entre eles.
–
Eu também te amo, Tyler. Eu nunca te esqueci.
Tyler
sentiu o cheiro dela, e o toque com carinho no abraço que só Maya conseguia
dar. Ele pôs as mãos de cada lado do rosto dela, olhando firme nos olhos verdes
que agora estavam encharcados de lágrimas.
–
Eu sei que o tempo é o pior de tudo, mas podemos
recomeçar da melhor maneira. Confia em mim e deixa eu te levar pelas estrelas,
deixa eu te fazer feliz novamente, e mostrar que todo o meu sofrimento longe de
você acabou, e só resta amor. Eu posso te fazer feliz, se deixar que nossos
lábios se toquem, para que assim os nossos corações voltem a bater do jeito que
dois corações apaixonados batem quando se encontram. Eu sei que eu posso, e eu
sei que você quer. Porque eu te amo. Porque o nosso amor ainda não morreu. Ele
permanece como uma chama entre nós.
Os lábios se aproximaram, e os olhos límpidos fecharam-se com
vontade e ternura, e apertaram-se um contra o outro, sentindo que um
preenchimento agradável e incrível cobria todo um espaço aberto de anos de solidão.
Como se o amor novamente selasse um desejo, uma união.
–
Eu amo você. Eu amo muito você, meu amor. – Disse Tyler, sentindo as lágrimas
de Maya escorrerem pela face.
–
Eu te amo. – Complementou ela.
E
continuaram se beijando, tendo como único teto o céu e as estrelas. Enquanto
Tyler sabia que todo o amor que os dois tinham para dar estava ali, entrelaçado
entre aquele beijo, e vivo dentro dos dois corações batendo freneticamente.
Longe
dali, acima do mar, uma gaivota sobrevoava sozinha. Enquanto a luz da lua
iluminava a água com uma beleza inexplicável.
***
– Dayla está no hospital! – Avisou
Hendrie.
–
Dayla? – Tyler acordou e levantou-se depressa da cama, ainda lembrando da
garotinha que tinha conhecido no prédio de Hendrie, tocando violino. – O que
aconteceu?
Hendrie
vestiu o casaco.
–
Ela tem câncer, Tyler. – Explicou. – Já faz um tempo que ela faz fisioterapia,
mas ela passou mal ontem, a mãe dela me ligou. Hoje vão raspar a cabeça dela
para que o tratamento dê continuidade.
–
Você vai voltar para Mark Fill?
–
Sim, claro. Quero dar apoio à família, e principalmente, para Dayla. Você vem
comigo?
Tyler
parou e pensou durante alguns segundos, enquanto Tyler terminava de se arrumar
em frente ao espelho.
–
Você vai retornar?
–
Se você resolver ficar, sim. – Disse Hendrie. – E eu acho até melhor que você
fique aqui, você acabou de reencontrar Maya, e finalmente está dando tudo certo
com vocês.
Ele
tem razão. Pensou Tyler.
–
Claro.
Hendrie
entrou no veículo, logo depois de se despedir dos pais, que aceitaram deixar
Tyler morando por um tempo lá, enquanto Hendrie estivesse fora.
–
Então, você está namorando a filha do falecido Caster Drewson! – Afirmou
Arnastyne Dalmer, sentando-se ao lado de Tyler na cama.
Tyler
franziu a testa, como se fosse pego de surpresa. Na verdade ele tinha sido pego
de surpresa.
–
Eu vi você conversando ontem com Hendrie quando chegou do VINNAS. E eu acho que
você está fazendo o certo, meu filho. Se você ama essa mulher, mesmo que ela
seja filha do falecido Caster, você deve seguir em frente. Seguir o que o seu
coração manda.
Arnastyne
era uma excelente companhia, principalmente para quem precisava de incentivo.
–
Sabe, eu e Carmeron tínhamos pais que não aceitavam a nossa relação, mas não
foi por isso que resolvemos desistir. Sabíamos que não conseguiríamos viver um
longe do outro, mesmo com todas as ordens desnecessárias das nossas famílias.
Eu era uma simples garota que vivia em um bairro pobre de Mark Fill, mas mudei
para Fich Jerman ainda na infância com minha família. E Carmeron era
descendente de uma família de intelectuais militares, que foi se dissipando com
o tempo. Não seria fácil os pais dele aceitarem que ele se apaixonasse por uma
garota qualquer que tinha vindo de uma cidade desconhecida, e principalmente de
um bairro de baixa renda. Eles repugnavam isso.
–
E o que fizeram? – Tyler pôr uma das pernas na cama e prestou mais atenção na
resposta da Sra. Dalmer.
–
Ele me amava, e não tínhamos como convencer a família de Carmeron a aceitar que
ficássemos juntos. Então fugimos. – As palavras de Arnastyne estavam ficando
secas e sem força, e os seus olhos umedeceram. – Foi um tempo difícil. Eu vivi
longe da minha família, e ele viveu longe da dele. Mas nos reerguemos, sempre
confiando que o nosso amor venceria qualquer coisa. Até a fome e a insegurança.
Tudo.
Tyler
deu um sorriso quando Arnastyne o olhou nos olhos, tirando o olhar do chão. Uma
lágrima caiu sob o seu rosto. E sua voz ficou embargada de emoção.
–
Então não desista, Tyler. – Disse, segurando nas mãos dele. – Ela parece ser
uma boa mulher. E se é ela que você ama, é ela que você deve acreditar que
ficará para o resto de seus dias.
Tyler
deu um sorriso e resolveu perguntar algo:
–
Você ainda ama o seu marido?
Ela
enxugou uma lágrima e respondeu:
–
Com todas as minhas forças. – Ela suspirou e apertou as mãos de Tyler. – Eu
nunca deixarei de amar Carmeron. – Ela o abraçou, e o beijou no rosto.
Quando chegou a noite, Tyler saiu para
espairecer. Tentou ligar algumas vezes para Maya para convidá-la para sair, mas
ela não atendeu. Foi a um pequeno bar que se chamava THE MANIE RIVER, ao lado
de uma lavanderia. Tinha pouco espaço para andar, e no máximo dez a onze homens
estavam bebendo e conversando, uns assistindo futebol e outros falando sobre
mulheres. Tyler escolheu uma mesa circular de madeira e sentou-se. Pediu uma
cerveja e a bebeu, tentando esquecer que Maya talvez não quisesse mais vê-lo.
Quando levantou para poder pagar e ir embora acabou esbarrando em um homem que
aparentava ter a sua mesma idade, com os cabelos loiros e do mesmo porte físico
de Tyler.
–
Desculpa, cara. – Tyler tinha esbarrado no braço do homem e só depois percebeu
que tinha deixado derrubar a cerveja dele. – Eu te pago outra.
–
Está tudo bem. – Disse o loiro, limpando o pouco de cerveja que tinha ficado na
blusa.
–
Senta aí. – Tyler apontou para uma cadeira na sua mesa e foi buscar duas
cervejas.
Ficaram conversando toda a noite, e Tyler
vez por outra ia para o lado de fora e ligava para Maya ou para Hendrie.
Hendrie, pelo menos, atendeu e falou que Dayla estava bem, mas que já tinha
retirado o lindo cabelo ruivo que ela tinha. O cara com quem Tyler conversava
se chamava Albert Trey, e ele tinha uma aparência de durão, de uma pessoa
agressiva, mas a conversa entre os dois fluiu com tanta facilidade que Tyler o
adotou como amigo enquanto Hendrie estava fora da cidade.
A
noite terminou com Tyler e Albert falando sobre futebol e mulheres.
***
– Eu não deveria te falar isso. – Ian
Silas estava sentado na cadeira de seu escritório com uma máquina fotográfica
em mãos. – Eu não me aproximaria de Maya se fosse você, não com segundas
intenções.
Tyler
franziu a testa, e não tinha entendido o que claramente Ian queria dizer.
–
Como assim? – Tyler prestou bem atenção no que Ian Silas dizia. – Por que não?
Tyler
tinha contado para Ian sobre o fato de ele estar saindo com Maya, sabia que se
tudo ficasse mais sério e o relacionamento entre os dois desse certo, Ian Silas
deveria ficar sabendo de tudo, já que ele a patrocinava para a revista.
–
Ela tem um namorado extremamente violento.
Tyler
não suportou ouvir aquilo.
–
Como é? – Tyler levantou da cadeira e olhou fixamente para Ian, com raiva.
–
Eu só estou lhe dizendo isso, porque eu sei que você é um cara que pode fazer
Maya feliz, e aquele troglodita que está com ela não a faz feliz. Está na cara!
Mas por que ela ainda está com ele?
Pensou Tyler.
–
Esse cara é totalmente louco. Ele inventou de invadir o estúdio um dia desses,
e no meio de todos os fotógrafos começou a discutir com ela, dizendo que ela o
tinha traído, e quando ele deu um soco no rosto, todos os seguranças puseram
ele para fora na marra! – Ian ficou nervoso de lembrar-se daquele dia. – Maya
dormiu na casa de uma amiga esse dia, mas dois dias depois já tinha voltado
para ele.
Tyler
pôs as mãos no rosto, não acreditando no que estava ouvindo. A garota que ele
amou, e que continuava amando, nas mãos de um maníaco que a machucava.
–
E você sabe quem é esse cara?
Ian
Silas continuava passando as fotos na câmera, e lembrou-se de uma revista que
guardava junto com as que colecionava, uma pertencente a Style Jerman Looks.
–
Aqui. É ele! – Ian deu a revista para Tyler, e havia uma fotografia colorida de
Maya num evento acompanhada por um cara loiro e alto. Ela sorria, obviamente,
porque o evento era de gala. E ele dava um simples sorriso acanhado no canto da
boca, vestido de terno e gravata.
–
Eu não acredito. – Tyler ficou com os olhos postos na imagem. – Puta que pariu!
O
cara loiro estava nítido na fotografia, e Tyler jogou a revista encima do
balcão quando percebeu que o atual namorado e agressor de Maya era Albert Trey.
–
O que você vai fazer? – Perguntou Ian.
–
Eu estou tendo uma ideia. Eu queria muito bater naquele idiota até ele sumir da
face da terra, mas eu não vou sujar as minhas mãos com ele. Eu tenho um plano,
e quero que você me ajude.
Ian
Silas guardou a revista na gaveta e apertou a mão de Tyler.
–
Vamos acabar com ele!
***
Ian ligou para Maya, e logo ela atendeu.
Ele pediu para que ela fosse ao estúdio, enquanto Tyler ligou para Albert para
ir ao THE MANIE RIVER novamente com ele, o que faria parte do plano. Por mais
que Maya detestasse o fato de ser agredida, ela tinha medo de enfrentar Albert,
talvez por ameaças constantes que ele fazia. Homens como Albert deveriam mofar
na cadeia.
Albert Trey chegou ao bar com um sorriso no
rosto. Tyler estava sorrindo, por mais apreensivo que estivesse.
–
Eaí, cara? – Albert tocou na mão de Tyler e a apertou.
Albert
trabalhava em um prédio de contratações de designers, e todos os dias levava
consigo uma mochila com documentos e lista de pessoas que queriam o emprego ou
de desenhos que estampariam outdoors. Tyler pagou confidencialmente uma pessoa
que trabalhava no mesmo prédio de Albert para pôr uma arma na sua mochila
quando ele estivesse distraído. O rapaz que colocou a arma ligou para Tyler
pouco tempo antes do encontro para confirmar. Tyler propôs que dois policiais
ficassem de guarda sem o fardamento dentro do bar, avisando para eles que
Albert queria matá-lo, mas que antes queria ter uma conversa séria, e que Tyler
não escaparia daquele dia.
Tudo
durou apenas dois dias, até que Tyler combinasse com o rapaz para pôr a arma na
mochila de Albert, e avisar a polícia sobre ele, onde os dois policiais
seguiram os passos de Albert dia e noite, principalmente quando ele chegava a
casa. Sendo que a polícia testemunhara ainda que ele batera em Maya nesses dois
dias assim que chegava a casa, o que seria muita sorte para o desenvolvimento
do plano de Tyler. E muito azar para o futuro de Albert Trey.
–
Senta aí. – Tyler teve que manter a expressão amedrontada, para que assim os
policiais acreditassem cem por cento no que estava acontecendo.
–
O que aconteceu, cara? – Albert notou a apreensão de Tyler.
–
Você já era! – Tentou falar o mais sussurrado possível, para que os policiais
não suspeitassem de alguma coisa. E acreditassem que o perigoso ali era Albert.
–
Do que você está falando? – Albert franziu a testa, estranhando o comportamento
do “atual amigo” que ele havia conhecido.
–
Eu estou dizendo que você já era, cara. Eu sei tudo sobre você! – Tyler
respirou fundo antes de olhar bem nos olhos de Albert. – Eu amo Maya. E ela não
vai mais ser sua.
–
Ah, então é um jogo de disputa, idiota? – A voz dele ganhou um tom de
autoridade sinistro. – Você só é um fodidinho de merda, que acabou de chegar a
cidade, e quer conquistar tudo, até a minha namorada? Isso nunca vai acontecer.
–
Por que não vai? – Proferiu Tyler, ainda sussurrando. – Você vai bater nela de
novo?
Albert
colocou o dedo na cara de Tyler.
–
Você não se mete na minha vida com ela. Foi ela quem contou de mim para você?
Se for, ela vai levar uma surra das grandes quando eu chegar em casa hoje!
–
Isso se você conseguir, otário! – Tyler riu. – Seu lixo!
Albert
partiu para cima de Tyler com toda a agressividade, e Tyler gritou para os
policiais do outro lado do bar.
–
Ele está armado! – Ele caiu no chão junto com Albert. Que ainda estava com a
mochila nas costas. – Ele vai atirar! Ele está armado!
Os
policiais conseguiram tirar Albert de cima de Tyler quando ele deferiu um soco
no rosto dele. Um deles, o policial com os cabelos grisalhos, puxou a mochila
das costas de Albert e a abriu, enquanto o outro policial, o de óculos escuros
e um bigode preto, o segurava por trás pelos braços.
–
O que está acontecendo aqui? – Perguntou Albert, querendo se soltar.
O
policial de cabelo grisalho pôs a mão dentro da mochila e encontrou um revólver
carregado.
–
Isso não é meu! – Disse Albert, com os olhos bem arregalados para Tyler. – Isso
não é meu! Isso não é meu!
Tyler
estava muito feliz, mas não queria demonstrar qualquer tipo de animação que
pusesse tudo a perder.
–
Nós estamos vigiando você há alguns dias, Sr. Albert! – O policial que segurava
a arma em punho disse com o olhar pesado sobre Albert Trey. – Você já nos deu
muita dor de cabeça, e isso já é o bastante para você passar um bom tempo com
os seus amiguinhos. – O policial colocou a arma de volta na mochila. – Você
está preso!
O
outro policial pôs as algemas em Albert e o levou para a viatura. Enquanto todos
que estavam no bar sussurravam e falavam sobre a confusão.
Alguns minutos depois, enquanto Tyler
esperava a confusão e as pessoas se dissolverem, o policial grisalho voltou ao
bar.
–
Você daria um ótimo policial, Sr. Tyler. – Ele apertou a mão de Tyler e sorriu,
como se agradecesse profundamente. – Albert Trey já foi preso por tráfico de
armas, mas foi solto. E agora novamente aprontou, mas a pena vai ser mais
severa, até porque ele prometeu nunca mais andar com arma nenhuma.
Bingo!
Pensou Tyler. Ainda bem que tudo acabou.
– Está tudo bem, policial. Muito
obrigado por impedir uma tragédia hoje.
Tyler apertou a mão dele, e respirou
aliviado.
– Eu só fiz o meu trabalho.
***
– Deu certo? – Ian Silas comemorou do
outro lado da linha. – Graças a Deus!
Tyler
ligou para Ian, que comemorou e contou a notícia para Maya.
– Acabou. – Maya abraçou Ian e chorou.
***
Hendrie
tinha voltado para Fich Jerman no fim de semana, mas Tyler contou tudo o que
havia acontecido: O beijo em Maya, a prisão de Albert e a reconciliação.
Hendrie aceitou voltar para Mark Fill e continuar ensinando os seus alunos,
inclusive dando uma atenção maior a Dayla, que estava caminhando para uma
recuperação milagrosa. Tyler moraria em Fich Jerman com Maya, e tentaria a vida
como modelo da Style Jerman Looks,
com o pedido oficial de Ian Silas.
Tyler estava caminhando sobre uma ponte
que atravessava um rio na entrada da cidade, com mãos dadas com Maya.
–
Você salvou a minha vida. – Disse ela. – E eu agradeço por isso.
Tyler
apertou a mão dela, sorrindo e lembrando-se de tudo que passaram juntos e tudo
que enfrentariam dali para frente.
–
Você que salvou a minha. Eu estava sem chão longe de você, e nem sei como
consegui viver tanto tempo assim. Sem o seu amor, sem te tocar, sem te sentir.
Tyler
apoiou-se na lateral da ponte de madeira, e Maya o abraçou, sentindo o calor
dos corpos fluindo o amor novamente. Logo a seguir o deu um beijo carinhoso,
que os levaram a terem uma crise de abstinência da terra.
–
Eu te amo. – Ela disse, enquanto os dois iam distanciando os lábios.
Tyler
sorriu, e pôs as mãos nos bolsos.
–
Talvez seja cedo demais. – Disse, com a voz embargada. – Ou talvez seja tarde
demais. Mas o destino prova que não podemos mais ficar um longe do outro, e
tudo o que eu quero está aqui, com você. Um amor que eu quero levar para
sempre.
Maya
se afastou ao comando de Tyler. Logo depois ele ajoelhou-se, e dois violinistas
se aproximaram tocando a música que eles ouviam quando adolescentes, e ela se
emocionou quando lembrou.
–
Maya Santana Drewson... – Tyler a pegou pela mão, e retirou de uma caixinha
vermelha um anel de compromisso lindo, com pedras brilhantes azuladas. – Eu sei
que eu não sou o homem mais rico, ou o mais bonito, ou o mais inteligente. Mas
eu sou o homem que te fará feliz por todos os dias de sua vida, te amando e te
aceitando em todos os momentos. – Uma lágrima caiu no rosto dela. – Você aceita
casar comigo?
Ela
sorriu e limpou a lágrima que caiu.
–
É o que eu mais quero! – Ela respondeu. – Eu nunca o esqueci. E agora é para sempre.
Tyler
levantou e a abraçou, a beijando amorosamente. Um beijo doce e delicado.
Ele
nunca tinha desistido do amor verdadeiro. E agora sabia do quanto isso valeu a
pena.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gostou do post? Deixe seu comentário! Sua opinião é muito importante para nós e para outros leitores. Críticas construtivas são bem vindas!
Todos os comentários são respondidos!