Bem galera! Está chegando o Natal e eu quero compartilhar com vocês uma das minhas pequenas histórias de Natal: "A Camisa":
Os pontos soltos na camisa do garoto tinham
se desfeito na manhã daquele dia. A mãe, no entanto, não tinha linha para
costurá-los novamente.
– Por que andou pelo arame farpado de novo,
Lúcio? – perguntou a mãe, irritada com a atitude desobediente do garoto. – Os
nós estão novamente abertos!
O garoto baixou a cabeça e quase chorou. Os
olhos pesando nos rasgões da única camisa com botões faltando. O menino pôs a
camisa rasgada na cadeira da cozinha como fazia todas as noites e sem dizer
mais uma palavra Lúcio encaminhou-se para o quarto simples e deitou-se nos
trapos de algodão e palha que se faziam ser sua cama.
O
dia seguinte amanheceu límpido. Enquanto Lúcio descia as escadas, a mão coçando
o peito nu e magro, sua mãe, que preparava o café, lhe gritou:
– Lúcio, por que não disse-me que havia
carretel sobrando, que eu mesma faria isso? – ela estava com a camisa do menino
nas mãos. Já costurada.
O garoto não soube o que dizer. Vestiu a
camisa e boquiaberto admirou os rasgões consertados. Aquela tarde Lúcio chegou
em casa. Novamente com a camisa rasgada pelos arames farpados.
– Por que andou pelo arame farpado de novo,
Lúcio? – insistiu em perguntar a mãe. O garoto retirou a camisa, pendurou-a na
cadeira e subiu para dormir depois do jantar.
O dia seguinte fora a mesma coisa. A camisa
do garoto já estava consertada. E a mãe insistia em dizer que fora o moleque
quem fizera isso.
Passou-se uma semana a ocorrer a mesma coisa.
No sétimo dia, quando Lúcio retornou a casa com a camisa rasgada, ela não se
consertou. Então foram um, dois, três, quatro, cinco dias atravessando o arame
farpado. No final da semana já não havia mais tecido para ser rasgado. À noite
ele dormiu com a camisa com dezenas de rasgões, querendo descobrir se acordaria
com ela novinha. Mas não aconteceu o que queria. Desceu e viu a mãe parada na cozinha,
sobressaltada, e lágrimas quentes descendo em seu rosto.
– Mamãe, o que houve? – abraçou a mãe, os
olhos também marejados. Agora via. Uma mesa exuberante, com peru suculento,
taças limpas com água, maçãs no molho adocicado e saladas. Tudo na mesa. O teto
enfeitado com inúmeras bolinhas brilhantes e dezenas de anjinhos de cera, num
detalhe azul-esbranquiçado. E ali, sobre a cadeira uma blusa novinha. Costurada
com linha branca e lã macia.
– É lindo, filho. É lindo! – a mãe,
espantada, começou a arrumar os pratos na mesa.
O menino Lúcio tirou o que sobrou dos trapos
da camisa e vestiu a nova. Com um sorriso no rosto contemplou o dia pela
janela. Avistou um homem que olhava por ali. Era alto e tinha um sorriso
cintilante. Parecia brilhar.
Virou o olhar para um quadro de Jesus Cristo
na cozinha de sua mãe. Bordado com linha colorida. E num instante ele
apercebeu-se de algo divino.
– Vamos filho, é natal! É natal, Lúcio! – a
mãe disse com alegria. Sentando-se à mesa.
Ele olhou para a camisa nova e para a janela
que já não havia mais o homem e acompanhou a mãe à mesa.
Sim, era natal. O natal mais mágico que já
tiveram.
Espero que tenham gostado, e tenham um ótimo Natal!!! Até a próxima! Fui!

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